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A relação entre o tabagismo e a condição multissistémica conhecida como COVID Prolongada, ou Long COVID, foi durante tempo uma incógnita. Investigadores da Universidade Metropolitana de Osaka trouxeram agora dados concretos que vincam o hábito de fumar, em particular o uso duplo de produtos tradicionais e aquecidos, a um leque mais amplo e severo de sequelas pós-infecciosas. A análise, publicada na Scientific Reports, baseia-se nas respostas de 28.250 participantes do inquérito nacional japonês JASTIS 2023, dos quais 5.068 tinham histórico confirmado de infeção por COVID-19.
A equipa, liderada pela estudante de pós-graduação Erika Toyokura e pelo professor associado Kazuhisa Asai, categorizou os participantes em não-fumadores, ex-fumadores, fumadores de cigarros combustíveis, utilizadores de produtos de tabaco aquecido e utilizadores duplos. Os resultados apontam para uma correlação clara. Comparando com não-fumadores, os fumadores atuais mostraram maior propensão para quatro sintomas específicos: artralgia (dor nas articulações), dor torácica, dispneia (dificuldade respiratória) e disosmia (perturbação do olfato). O padrão agravou-se nos utilizadores duplos, que apresentaram associação significativa com cinco sintomas, adicionando a disgeusia (perturbação do paladar) à lista anterior.
Os dados sugerem ainda nuances consoante o tipo de produto. Enquanto os fumadores de cigarros tradicionais se correlacionaram principalmente com dor torácica, dispneia e disosmia, os utilizadores de tabaco aquecido reportaram maior incidência de dispneia e disfunção sexual. “Este estudo é o primeiro a revelar que a COVID Prolongada difere consoante os padrões de tabagismo. Em concreto, os indivíduos que usam simultaneamente produtos de tabaco combustíveis e aquecidos mostraram uma correlação mais forte com um maior número de sintomas”, explicou Erika Toyokura. As conclusões, sublinhou, “reforçam a importância de cessar o uso do tabaco”.
Kazuhisa Asai, supervisor da investigação, adiantou que os próximos passos passarão por “examinar a relação causal e os mecanismos subjacentes entre o tabagismo e os sintomas de Long COVID”, com o objetivo último de aplicar estas descobertas nas políticas de saúde pública e na prática clínica. O estudo decorre num contexto em que a COVID Prolongada se tem revelado um fardo duradouro para os sistemas de saúde, caracterizando-se por sintomas persistentes para além de três meses após a infeção aguda.
A investigação não está isenta de conflitos de interesses a ponderar. Kazuhisa Asai reporta ter recebido honorários por conferências da AstraZeneca, GlaxoSmithKline e Sanofi. Takahiro Tabuchi, outro dos autores, declara apoio financeiro para investigação e honorários de consultoria ou conferências de várias empresas farmacêuticas e tecnológicas, além de bolsas de organismos públicos japoneses.
A Universidade Metropolitana de Osaka, uma das maiores instituições públicas do Japão, tem promovido a investigação na área da saúde pós-pandémica. Os detalhes completos do estudo estão disponíveis na plataforma da revista científica.
Referência Bibliográfica:
Toyokura, E., Yamada, K., Asai, K. et al. Association between tobacco use and post-COVID-19 condition: a cross-sectional analysis of the JASTIS 2023 study. Sci Rep (2026). https://doi.org/10.1038/s41598-026-XXXXX-X
Links:
https://www.omu.ac.jp/en/
https://www.nature.com/articles/s41598-026-XXXXX-X
NR/HN/AlphaGalileo



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