ULS Médio Tejo coloca saúde sobre rodas para vencer distâncias no interior

26 de Janeiro 2026

Duas novas carrinhas de saúde vão percorrer, a partir de fevereiro, as estradas de sete concelhos da região do Médio Tejo, levando enfermagem, tratamentos e teleconsulta a populações isoladas. A iniciativa pretende colmatar dificuldades de acesso aos serviços de saúde convencionais

A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo fez sair da garagem, esta segunda-feira, um projeto há muito desejado. Duas unidades móveis, verdadeiros consultórios sobre rodas, vão começar em fevereiro uma rota predefinida por sete municípios: Abrantes, Alcanena, Mação, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila de Rei. A ideia, claro como água, é bater à porta de quem vive longe de um centro de saúde. “Estas carrinhas de saúde vão percorrer o Médio Tejo para cuidar das pessoas onde vivem. É um momento marcante, que aproxima a saúde das comunidades”, não escondeu a satisfação Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo. O projeto, pago pela carteira do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), transforma viaturas adaptadas em espaço clínico completo, equipado com material para tratamentos, consultas de enfermagem e ligação por telemedicina aos sistemas do Serviço Nacional de Saúde. Não se trata, insiste Ramos, de substituir o médico de família, um fantasma que ainda assombra muitos utentes. Em vez disso, a aposta é num reforço da proximidade, uma espécie de rede de segurança para quem tem mobilidade reduzida ou simplesmente habita em lugares onde a densidade populacional não justifica um posto físico permanente. Cada carrinha terá uma equipa fixa, composta por um enfermeiro e um assistente operacional, que fará uma programação regular em coordenação com os cuidados de saúde primários de cada concelho. Uma das viaturas ficará responsável por Vila de Rei, Sardoal e Mação. A outra cobrirá Alcanena, Tomar e Torres Novas. Abrantes, sendo uma sede de concelho com hospital, será servida por ambas, consoante as necessidades. O leque de serviços é amplo: acompanhamento de doenças crónicas, vacinação, apoio à gestão da medicação, rastreios e até promoção da literacia em saúde. Tudo feito com a possibilidade de, a um clique de distância, um médico especialista entrar no processo via teleconsulta. Para a administração, é a materialização de uma estratégia desenhada há dois anos, que agora finalmente ganha forma metálica e motorizada. “Vamos continuar a trabalhar para garantir que os cuidados de saúde chegam a todos, com proximidade, atenção e cuidado, independentemente do local onde vivem”, rematou Casimiro Ramos. A ULS Médio Tejo, com sede em Torres Novas, gere três hospitais e 35 unidades de saúde primárias, servindo uma população de cerca de 170 mil utentes distribuídos por onze concelhos dos distritos de Santarém e Castelo Branco.

NR/HN/Lusa

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