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A ministra da Saúde não escondeu um certo alívio histórico. Ana Paula Martins falava no Estádio Algarve, quase à sombra do terreno onde, afinal, se vai erguer a nova infraestrutura de saúde. “Depois de 20 anos, depois de oito primeiras pedras, vai finalmente avançar a construção do Hospital Central do Algarve”, declarou, carregando nas palavras “finalmente” e “histórica” para descrever a decisão. A resolução do Conselho de Ministros que oficializa o escalonamento da despesa para os próximos 27 anos será publicada dentro de “dois ou três dias”, adiantou.
O caminho até aqui foi longo e pontuado por frustrações. A prioridade foi identificada num relatório de 2006, e a primeira pedra simbólica chegou a ser lançada em 2008, transformando-se depois num amargo símbolo de promessas por cumprir para os habitantes da região. Agora, o Governo compromete-se com um montante máximo global de 426,6 milhões de euros, com um limite anual de 50 milhões, num modelo de parceria público-privada que abrange conceção, construção, financiamento e manutenção.
O projeto, aprovado em resolução de Conselho de Ministros a 9 de janeiro, promete uma unidade de 742 camas, dotada de 18 salas de operações e 10 salas de partos. A ministra insistiu na ideia de um “hospital de ponta”, enumerando equipamentos como TAC, ressonâncias magnéticas e aceleradores lineares. A área da oncologia, um calcanhar de Aquiles histórico para os algarvios, estará totalmente integrada, assim como os cuidados paliativos e a psiquiatria para todas as idades.
Para além da resposta clínica, Ana Paula Martins vincou o papel estratégico do hospital para o tecido académico regional. Será, disse, imprescindível para o curso de Medicina e para outros cursos de Ciências da Saúde lecionados no Algarve, assegurando a sua sustentabilidade. A relevância do equipamento, argumentou, mede-se também pelo aumento esperado na acessibilidade e na segurança dos cuidados prestados, melhorando as condições para utentes e para os profissionais que ali virão a trabalhar. O acordo estratégico e o acordo de acompanhamento do HCA foram formalizados na mesma cerimónia, tentando afastar de vez o espectro das falsas partidas.
NR/HN/Lusa



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