Novo acesso ao Hospital de Braga avança no PDM com financiamento privado

27 de Janeiro 2026

O presidente da Câmara de Braga anunciou que o Plano Diretor Municipal prevê uma nova artéria de acesso ao hospital público, contornando as Sete Fontes. Investimento poderá ser parcialmente suportado por privados, em contrapartida de capacidade edificatória nos seus terrenos

Em reunião de executivo, João Rodrigues descreveu a operação como um reajustamento da antiga via que outrora passava sobre o património das Sete Fontes. A nova ligação, que contorna a zona pelo Areal, visa criar uma terceira saída para o hospital, que atualmente dispõe apenas dos acessos para Gualtar e para a Avenida Padre Júlio Fragata. “No fundo, a via é reajustada para não passar por cima das Sete Fontes e para passar por trás do Areal, com ligação às Sete Fontes”, explicou o autarca, com aquele tom pragmático que caracteriza as suas intervenções.

A conversa surgiu a pedido do vereador socialista Pedro Sousa, que tem martelado na necessidade de desenrascar os constrangimentos de trâfego na zona. Sousa alertou que não se pode continuar a depender de uma única via dedicada, um problema que condiciona a operação do hospital e a vida de quem por lá precisa de passar.

Mas o que mais salta à vista no projeto é o modelo de financiamento. Rodrigues deixou claro que os privados poderão suportar uma fatia do investimento. A lógica é simples: a atribuição de capacidade edificatória a terrenos particulares que são atravessados pela futura artéria funcionará como moeda de troca. “Uma das vantagens do Plano Diretor Municipal é que nós, ao atribuir capacidade edificatória a uma série de solo, podemos ter os privados a pagar parte deste investimento. Esta via prevista passa por uma série de terrenos que têm proprietários”, sublinhou. Uma solução, digamos, criativa, num tempo em que as câmaras não nadam em dinheiro.

Curiosamente, a notícia chega num período em que outras mobilidades prometidas para Braga ficaram pelo caminho. Existia a ideia, já com algum tempo, de uma linha de BRT a ligar a estação ferroviária, a Universidade do Minho e o hospital. Até se falou que poderia estar pronta a meio deste ano. Mas o vento mudou, e o atual executivo redefiniu prioridades. Essa linha ficou na gaveta, dando agora lugar ao BRT Braga-Guimarães e à ligação à futura estação de alta velocidade. O que não invalida que um novo acesso rodoviário ao hospital seja, de facto, uma peça fundamental no xadrez da cidade. Resta saber quando se materializará, pois essas coisas arrastam-se sempre mais do que o desejável.

NR/HN/Lusa

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