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A Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros nos Açores reconhece o empenho da tutela, mas exige maior velocidade na resolução de casos concretos do processo de reposicionamento dos profissionais, uma questão que classifica como de “justiça profissional”.
Angra do Heroísmo, Açores, 26 jan 2026 (Lusa) – A Ordem dos Enfermeiros pediu hoje mais agilidade no tratamento de algumas situações concretas do reposicionamento da classe na região açoriana. O apelo foi feito pelo presidente da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros (SRRAAOE), Pedro Soares, durante um encontro com o diretor regional da Saúde, Pedro Paes. A reunião, que serviu para fazer um ponto de situação global dos cuidados de enfermagem no arquipélago, centrou-se sobretudo nesse processo de reposicionamento, que arrasta algumas perplexidades no terreno.
Em causa está a aplicação do Decreto-Lei 111/2024, aquele que veio alterar o regime da carreira especial de enfermagem e as tabelas remuneratórias nas entidades públicas empresariais e parcerias em saúde. O mecanismo, de compreensão complexa para muitos, tem sido objeto de escrutínio pela estrutura profissional. No comunicado difundido após o encontro, Pedro Soares procurou equilibrar o reconhecimento do trabalho feito com a urgência que, diz, alguns casos ainda exigem. “Reconhecemos o empenho demonstrado pela tutela no cumprimento dos prazos estabelecidos, embora em situações pontuais exija mais celeridade”, afirmou, deixando no ar uma sensação de impaciência contida.
A questão, nas suas palavras, transcende a mera atualização processual. “Reafirmamos que o reposicionamento dos enfermeiros açorianos é uma questão de justiça profissional e de valorização do serviço público”, sustentou o líder dos enfermeiros, numa declaração que ecoa mal-estares antigos. Para além deste dossiê prioritário, a conversa com o responsável pela Saúde na região esbarrou noutros problemas crónicos. Soares voltou a apontar o dedo à carência gritante de profissionais, um fenómeno especialmente severo “nas ilhas sem hospital”, onde os concursos por vezes ficam desertos, sem uma única candidatura.
A solução, na sua ótica, passará necessariamente pela criação de incentivos robustos para fixar enfermeiros nessas localidades mais periféricas. Sem isso, avisa, o serviço continuará debilitado. A pauta da reunião foi ainda preenchida com outros temas de agenda, como a sempre adiada implementação efetiva da figura do enfermeiro de família em todo o território açoriano e a necessidade de um maior apoio à formação contínua. São, no fundo, várias frentes de uma mesma batalha por melhores condições, que hoje teve um capítulo de diálogo, mas que promete manter-se no topo das preocupações do setor.
NR/HN/Lusa



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