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Num gesto que pretende cristalizar uma colaboração de anos, o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva, rubricou a Carta de Compromisso no âmbito do Plano Local de Saúde Almada-Seixal (PLSAS) 2026-2030. A cerimónia, que decorreu a 21 de janeiro no Centro de Formação da Sobreda, marcou o arranque formal de mais uma etapa num percurso que, nas palavras do autarca, é já “muito positivo, de respeito e compromisso do qual muito nos orgulhamos”. O documento agora assinado visa, acima de tudo, que o município e a Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS) considerem as orientações estratégicas do plano no seu planeamento corrente, procurando sinergias e contribuindo para as metas locais.
Esta não é, contudo, uma parceria nova. O município tem uma mão ativa na construção destes instrumentos desde o primeiro PLSAS, aquele que cobriu o período de 2013 a 2016, colaborando na identificação de problemas e na definição de estratégias. Paulo Silva aproveitou o momento para destacar o projeto “Seixal Saudável”, uma espécie de guarda-chuva municipal que agrega políticas e ações que vão da cultura ao desporto, passando pela habitação. “Evidencia o carácter multidimensional da saúde”, sublinhou, considerando que o novo plano, em articulação com o Plano Municipal de Saúde, fornece uma “visão global sobre as potencialidades e as necessidades” do território.
No capítulo das infraestruturas, o discurso foi para terrenos mais concretos. O autarca lembrou os canteiros de obras abertos em Foros de Amora e Paio Pires, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas com um investimento camarário que ele classifica como “muito significativo”. Para além da cedência de terrenos, a autarquia tem custeado acessibilidades e arranjos exteriores nas unidades de saúde existentes, uma prática com décadas. Há também um protocolo em curso com a ULSAS para alavancar a requalificação e ampliação da USF Fernão Ferro +.
Mas há uma reivindicação antiga que não saiu de cena. Paulo Silva não deixou de reiterar a exigência pela construção do Hospital do Seixal, uma bandeira que a autarquia mantém erguida. “Disponibilizando-se para investir 2 milhões de euros em acessibilidades e infraestruturas”, afirmou, por entender que o equipamento tem “máximo interesse municipal e estratégico” para a saúde das populações. O PLSAS 2026-2030, que cobre os concelhos de Almada e Seixal, tem precisamente como um dos seus objetivos centrais criar ambientes que favoreçam estilos de vida mais saudáveis, atuando sobre os fatores de risco. A parceria agora reforçada pretende ser o motor dessa mudança, tentando colmatar necessidades técnicas e populacionais identificadas no diagnóstico. Apesar do tom geral de colaboração, a sombra do hospital desejado e não concretizado paira sobre o debate, lembrando que os consensos na saúde pública nem sempre apagam todas as divergências.
PR/HN/MM



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