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“Os dadores agora podem dar sangue até aos 70 anos”, afirmou à agência Lusa o presidente da Fepobades, Alberto Mota, sublinhando que esta mudança representa “uma lufada de ar” para o sistema e poderá permitir ganhar “algumas centenas de dadores de sangue” nos próximos cinco anos. Até aqui, a idade máxima para dar sangue em Portugal estava fixada nos 65 anos, mas desde o início deste ano passou a ser permitida até aos 70.
Segundo Alberto Mota, a reunião serviu também para apresentar outras medidas destinadas a melhorar o processo de dádiva, nomeadamente a introdução de um questionário ‘online’ para os dadores mais jovens, com o objetivo de acelerar o processo de colheita. Está ainda prevista a comunicação dos resultados das análises aos dadores através de mensagens SMS e correio eletrónico.
O presidente da Fepobades alertou, no entanto, para a necessidade de garantir que a nova regra seja efetivamente aplicada em todo o país, indicando que a federação irá comunicar à tutela eventuais situações em que não sejam aceites dadores até aos 70 anos. Recordou, a este propósito, que existem normas em vigor que durante anos não foram cumpridas, como a possibilidade de jovens de 17 anos, acompanhados por um tutor, poderem dar sangue, regra que só começou a ser aplicada há poucos meses, apesar de estar prevista desde 2015.
Durante o encontro com a tutela, a federação voltou a alertar para a escassez de profissionais nos Centros de Sangue e da Transplantação do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) do Porto, Coimbra e Lisboa. Alberto Mota lamentou que a falta de recursos humanos continue a provocar constrangimentos e cancelamentos de colheitas, embora o Ministério da Saúde tenha garantido que existem vagas autorizadas e que o seu preenchimento será feito “o mais rapidamente possível”.
A Fepobades alertou ainda para a necessidade urgente de regulamentação do Estatuto do Dador de Sangue, que não é atualizado desde 2013. Segundo Alberto Mota, há matérias previstas no estatuto que continuam a não ser cumpridas por algumas administrações hospitalares, defendendo que a publicação das regras é essencial para garantir que os direitos dos dadores sejam respeitados.
Apesar de reconhecer que o inverno e o aumento das infeções respiratórias tornam o mês de janeiro menos favorável às colheitas, o presidente da Fepobades manifestou confiança de que não se registem quebras significativas nas reservas. A federação insiste, contudo, na importância de alargar os horários de colheita nos hospitais, frequentemente condicionados pela falta de profissionais.
Alberto Mota referiu ainda que a secretária de Estado da Saúde manifestou total disponibilidade para manter o diálogo com a federação e trabalhar em conjunto para assegurar reservas de sangue estáveis, tanto no IPST como nos hospitais de todo o país. “Vamos trabalhar para manter a reserva estável nas várias regiões do país”, concluiu.
lusa/HN



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