APDP ambiciona instituto nacional para travar diabetes ainda em 2026

28 de Janeiro 2026

A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal quer criar um instituto dedicado à prevenção da doença, um projeto que prevê lançar ainda este ano. A rede assenta numa estratégia de intervenção comunitária e rastreios precoces

A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) traçou um novo rumo para o seu segundo século de atividade. No arranque das comemorações do seu centenário, que se cumpre a 13 de maio, a organização anunciou a ambição de criar um instituto consagrado inteiramente à prevenção da diabetes. A confirmação foi dada pelo presidente da associação, José Boavida, que descreveu à Lusa um projeto ainda sem financiamento garantido, mas com contornos operacionais já definidos e conversações avançadas para a sua instalação física.

O tal instituto funcionaria como uma espinha dorsal para uma rede de gestores de prevenção que atuariam um pouco por todo o território. A missão desses profissionais, explicou Boavida, passaria por identificar pessoas em estado de pré-diabetes e trabalhar na sua educação para evitar a progressão para a doença declarada. Um milhão e meio de portugueses vivem atualmente com diabetes, um número a que se somam cerca de dois milhões e meio em situação de pré-diabetes, um limiar perigoso que justifica, na visão da APDP, uma aposta forte e estruturada na prevenção.

O plano assenta numa intervenção sobre três vértices considerados fundamentais: a diabetes tipo 2, a diabetes tipo 1 e a obesidade, esta última apontada como a principal causa para o desenvolvimento do tipo 2 da doença. Para a prevenção da diabetes tipo 2, fortemente ligada a hábitos de vida, a estratégia desenha-se no terreno. A ideia é que as equipas se desloquem a associações, coletividades ou espaços cedidos por autarquias para realizar formações de grupo, ensino individual e promover uma alimentação mais saudável e a atividade física. “Promover atividades de grupo que incentivem e motivem as pessoas a mudarem o seu estilo de vida”, resumiu o líder da APDP.

A aposta na precocidade é outra das marcas do projeto. José Boavida defende que o trabalho de prevenção deve começar cedo, muito cedo. Por isso, o instituto integrará ações em escolas e jardins-de-infância, partindo do princípio que é por volta dos quatro anos que se deve começar a semear os conceitos de uma vida saudável. No capítulo da diabetes tipo 1, que resulta de uma reação autoimune, o projeto “Um Dedo que Adivinha” – uma iniciativa de rastreio em crianças e jovens já conduzida pela APDP – será incorporado na estrutura do novo instituto.

O financiamento, contudo, permanece uma incógnita. Boavida admitiu que ainda não existem verbas alocadas, mas que já foram pedidos donativos a investidores, amigos da associação e outras entidades que possam apoiar a causa. Em paralelo, estão em curso discussões com o Governo para a cedência de um edifício no Parque da Saúde, em Lisboa, que servirá de base às operações. O desejo é ver o instituto a sair do papel ainda antes do final do ano corrente.

A APDP, que no ano passado acompanhou mais de 18.600 utentes, marcou o início das comemorações do seu centenário com uma sessão onde foi revelado o calendário de eventos e lançado o Prémio de Jornalismo Ernesto Roma.

NR/HN/Lusa

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