APDP assinala 100 anos com aumento da procura e foco na educação para a diabetes

28 de Janeiro 2026

A Associação Protetora de Diabéticos de Portugal (APDP) recebeu 18.667 utentes ao longo do último ano, um aumento de 609 pessoas face a 2024, refletindo o crescimento do número de doentes com diabetes e de pessoas em risco de desenvolver a patologia em Portugal. Os dados foram revelados esta quarta-feira por responsáveis da associação, a poucos dias da celebração do seu centenário.

Segundo o presidente da APDP, José Boavida, estima-se que existam cerca de um milhão e meio de pessoas com diabetes em Portugal, a que se juntam aproximadamente dois milhões de pessoas com pré-diabetes, um grupo com elevada probabilidade de vir a desenvolver a doença. Este cenário tem-se traduzido num aumento da procura dos serviços da associação, que atualmente recebe cerca de 300 utentes por dia com diabetes tipo 1 e tipo 2.

José Boavida defendeu que a única forma eficaz de reduzir o número de pessoas com diabetes no país passa pela prevenção, sublinhando a necessidade de criar um instituto dedicado à identificação precoce e à educação das pessoas com risco de desenvolver a doença. O responsável explicou que esse instituto permitiria, a nível nacional, identificar indivíduos com tendência para a diabetes e promover comportamentos que evitem a progressão da patologia. Contudo, referiu que a APDP ainda não dispõe de recursos financeiros para concretizar o projeto, estando a associação a solicitar donativos para esse fim.

A diabetes tipo 1 caracteriza-se pela destruição das células produtoras de insulina pelo sistema imunitário, enquanto a diabetes tipo 2 resulta da resistência do organismo à ação da insulina. A APDP acompanha utentes de todas as faixas etárias, sendo a idade média dos pacientes de 62 anos.

De acordo com o diretor clínico da APDP, João Raposo, os utentes que recorrem à clínica da associação sentem-se, de um modo geral, mais acompanhados e envolvidos no seu próprio plano terapêutico, considerando que a gestão da diabetes depende em grande medida do papel ativo do próprio doente. O responsável salientou que o acompanhamento personalizado constitui uma das principais diferenças entre o atendimento prestado pela APDP e o realizado noutras unidades de saúde, destacando o trabalho de educação dirigido não só aos utentes, mas também às suas famílias, para aprenderem a viver com a doença.

Os doentes podem ser reencaminhados para a APDP através do Serviço Nacional de Saúde, de seguros de saúde ou por outras vias. No caso dos utentes do SNS, os serviços são prestados de forma gratuita.

A clínica da APDP disponibiliza uma resposta integrada que inclui rastreios, consultas, exames, serviços de psicologia, pediatria, nutrição e cardiologia, bem como o acesso a bombas de insulina comparticipadas, entre outros cuidados relacionados com a diabetes. Segundo a médica diabetologista da associação, Rita Nortadas, num único dia é possível responder a várias necessidades associadas à doença, tornando o acompanhamento mais acessível para os pacientes. A médica salientou ainda que a concentração dos serviços no mesmo local evita tempos prolongados de espera entre análises e exames, bem como deslocações desnecessárias.

A APDP foi fundada em 1926 pelo médico português Ernesto Roma, tornando-se a mais antiga associação do mundo dedicada aos diabéticos. Na altura, Ernesto Roma encontrava-se nos Estados Unidos quando Frederick Banting e Charles Best conseguiram isolar a insulina e utilizá-la no tratamento da diabetes, em 1921. Ao trazer o medicamento para Portugal, o médico apercebeu-se do seu elevado custo, que o tornava inacessível às populações mais pobres.

Perante essa realidade, Ernesto Roma criou a associação, inicialmente designada Associação Protetora dos Diabéticos Pobres, com o objetivo de fornecer insulina aos doentes carenciados e de os ensinar a cuidar de si próprios, através da informação e da educação sobre a doença. Atualmente, a APDP conta com cerca de 28.000 associados e aproximadamente 150 profissionais.

lusa/HN/AL

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