![]()
A companhia deu a conhecer esta terça-feira, 27 de janeiro, que a grande maioria dos doentes inscritos no ensaio clínico ACTIVATE já cumpriu a totalidade do período de tratamento, um marco operacional decisivo para a conclusão do estudo. O ensaio, que decorre em 85 centros de 11 países, avalia a molécula BIA 28-6156 em pessoas com Doença de Parkinson portadoras de uma mutação específica no gene GBA1, uma variante genética que confere um risco elevado e está associada a uma progressão clínica tipicamente mais agressiva. A data final para a conclusão das visitas de todos os participantes está prevista para abril do próximo ano, e a comunidade científica e os doentes aguardam, com expectativa, os dados que surgirão depois disso.
“Estamos ansiosos por apresentar os dados”, afirmou António Portela, diretor-executivo da Bial, em comunicado. O responsável destacou o “entusiasmo crescente” da comunidade ligada à Parkinson e o posicionamento da empresa na dianteira do desenvolvimento de um tratamento que poderá modificar o curso da doença para este subgrupo de doentes. O recrutamento para o ACTIVATE, que incluiu 273 participantes, foi encerrado antes do tempo inicialmente estimado, um sinal que a empresa interpreta como reflexo do forte envolvimento da comunidade e da necessidade clínica não satisfeita. A taxa de retenção de doentes ao longo de quase ano e meio de tratamento é descrita como elevada, facto atribuído ao compromisso dos voluntários e às equipas dos centros de investigação.
A Doença de Parkinson ligada a mutações no gene GBA1 é uma frente complexa no campo das neurociências. Representa entre 5 a 15 por cento de todos os diagnósticos, e os doentes enfrentam frequentemente um declínio funcional mais acelerado. O BIA 28-6156 atua de uma forma inovadora, sendo um ativador oral da enzima beta-glucocerebrosidase. A teoria é que, ao potenciar a atividade desta enzima, se possa interferir diretamente nos mecanismos biológicos subjacentes à doença, oferecendo uma abordagem potencialmente modificadora e não apenas sintomática. O percurso do fármaco é, por isso, acompanhado com particular atenção. A Bial tem mantido um canal de comunicação com os participantes do ensaio, enviando atualizações regulares através dos centros clínicos.
O caminho até à possível comercialização ainda é longo, dependendo do sucesso desta fase 2b e dos estudos de Fase 3 que se poderão seguir. Contudo, o avanço sólido do ACTIVATE é encarado como um passo tangível. A empresa, com sede no Porto e uma aposta declarada em neurociências e doenças raras, vê neste projeto uma das suas apostas mais fortes no pipeline. A comunidade de doentes, por seu lado, espera por novidades que possam trazer uma nova perspectiva terapêutica para uma condição que, até agora, carece de opções que alterem a sua trajetória.
Para mais informações sobre o BIA 28-6156: https://www.bial.com/com/our-research/pipeline/bia-28-6156/
Para mais informações sobre o desenho do estudo: www.clinicaltrials.gov (identificador: NCT05819359)
Para mais informações sobre a Bial: www.bial.com
PR/HN/MM



0 Comments