Comissão Parlamentar ao INEM Paralisa Novamente por Imperativo Eleitoral

28 de Janeiro 2026

A comissão de inquérito parlamentar ao INEM suspendeu os trabalhos para a próxima semana, cedendo ao calendário da segunda volta das presidenciais. Foi a terceira interrupção desde que o grupo começou a ouvir testemunhos

Os deputados que integram a comissão de inquérito ao Instituto Nacional de Emergência Médica acordaram, num raro consenso, uma nova pausa nos trabalhos. A próxima semana, entre 2 e 6 de fevereiro, ficará vazia na agenda da CPI, num compasso de espera ditado pela segunda volta das eleições presidenciais. A decisão, tomada esta sexta-feira, foi unânime.

Esta interrupção não é, contudo, uma novidade. Já antes, o ritmo dos depoimentos havia sido condicionado pelo período festivo de Natal e Ano Novo, e mais tarde pela primeira volta do ato eleitoral. O inquérito, que parece viver às arrecuas do calendário político e social, acumula assim sucessivas paragens desde o final do ano passado.

Nesta reunião de hoje, para além da suspensão, foi também aprovado por todos o adiamento de outro prazo. A entrega do conjunto de perguntas que serão remetidas a cerca de 40 entidades e personalidades, um dossier complexo, viu o seu deadline ser alargado. Os deputados terão agora até às 12h00 de segunda-feira para finalizar e submeter os seus questionários escritos.

Num dos momentos mais aguardados do dia, o enfermeiro diretor do INEM, Rui Campos, prestou depoimento no quinto dia de audições públicas. A sua intervenção foi antecedida por um revés logístico. A presença do presidente da Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários, João Jordão Marques, foi impossível. O responsável encontra-se em serviço ativo devido aos graves efeitos da depressão Kristin, um temporal que provocou vítimas mortais e elevados estragos materiais no país. A sua audição ficou adiada, sem data concreta, para uma oportunidade futura que a comissão terá de agendar.

Este processo de inquérito, uma iniciativa aprovada no parlamento por proposta da Iniciativa Liberal em julho do ano transato, tem um mandato de 90 dias para tentar deslindar responsabilidades de vária ordem — políticas, técnicas, financeiras — na atual situação do INEM. O foco do escrutínio parlamentar centra-se em dois eixos principais: a atuação concreta do instituto durante a greve dos profissionais no outono de 2024, e os contornos da relação entre os sucessivos governos (as tutelas políticas) e a administração do INEM, num arco temporal que remonta a 2019. A tarefa é extensa e o relógio não para, mesmo com as interrupções.

NR/HN/Lusa

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