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A Unidade Local de Saúde (ULS) de Castelo Branco tomou a decisão de suspender toda a atividade assistencial, até às 14:00, nos centros de saúde de S. Tiago, na cidade de Castelo Branco, e na vila de Vila Velha de Ródão. A medida, anunciada através de um breve comunicado nas redes sociais da instituição, aponta as condições meteorológicas extremas como causa única para o encerramento. Uma exceção foi feita para a Unidade de Cuidados na Comunidade de Castelo Branco, que se mantém operacional. As tentativas para obter mais esclarecimentos junto do Conselho de Administração da ULS não foram, contudo, bem-sucedidas. Este isolamento de populações soma-se a um cenário já de si gravoso. A passagem da depressão Kristin deixou um rasto de destruição pelo território continental, com dois mortos confirmados e um número ainda indeterminado de desalojados, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Os corpos de bombeiros e os serviços de emergência registraram um espantoso número de mais de 2.600 ocorrências durante a madrugada e a manhã de hoje, uma azáfama que não deu tréguas. Quedas de árvores de grande porte e o colapso de estruturas improvisadas ou mesmo de edifícios figuram entre os incidentes mais reportados, com particular incidência nos distritos do litoral centro. O temporal, que entrou por Leiria, descarregou a sua força com especial violência sobre as regiões de Coimbra, Santarém e Lisboa, mas os efeitos sentem-se de norte a sul. Vento que derrubou muros, chuva intensa que alagou ruas, neve que isolou aldeias e uma agitação marítima sem precedentes recentes são os ingredientes deste fenómeno quase perfeito. As consequências práticas para o dia a dia dos portugueses são profundas: estradas cortadas, linhas ferroviárias interrompidas, serviços de transportes públicos cancelados, escolas com portas fechadas e, em muitas localidades, famílias sem eletricidade, água potável ou sequer rede de telemóvel. A Proteção Civil mantém um estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, em toda a faixa costeira entre Viana do Castelo e Setúbal. Os avisos meteorológicos, nesse vasto corredor atlântico, estão pintados de vermelho, o que na linguagem do Instituto Português do Mar e da Atmosfera traduz o nível de perigo mais elevado. A natureza caprichosa da depressão Kristin obriga a que o país permaneça em alerta, enquanto tenta contabilizar os estragos e restabelecer uma normalidade que parece, hoje, um conceito distante.
NR/HN/Lusa



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