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Esta iniciativa integra o Plano de Resposta Sazonal em Saúde – módulo Inverno da ULS do Oeste, contribuindo para uma monitorização mais próxima, integrada e eficaz da circulação viral na comunidade.
Desde o arranque do projeto, as farmácias participantes recolheram dados de mais de 1.800 utentes com sintomatologia respiratória, tendo realizado e registado mais de 300 testes rápidos para deteção de vírus respiratórios. Esta recolha sistemática de informação permite acompanhar de forma representativa a propagação dos agentes patogénicos, facilitando a identificação precoce de novos padrões de infeção e contribuindo para a deteção rápida de potenciais epidemias ou pandemias.
O sistema de vigilância multinível desenvolvido oferece uma resposta baseada em evidência e governação territorial, permitindo otimizar a gestão dos serviços de saúde, especialmente durante o período de maior procura e saturação assistencial característico da época invernal. A monitorização realizada nas farmácias permite ainda uma abordagem atempada dos casos de infeção respiratória ligeira, promovendo a adequada utilização dos serviços de urgência e concentrando os recursos assistenciais nos casos de maior gravidade.
O modelo inovador, que aplica diretrizes internacionais adaptadas ao contexto das farmácias comunitárias, responde às limitações dos sistemas tradicionais de vigilância e segue as recomendações do European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) e da Comissão Europeia para o reforço dos sistemas epidemiológicos pós-pandemia de COVID-19. Os resultados preliminares indicam elevado potencial de replicação a nível nacional, fornecendo dados estratégicos que sustentam decisões clínicas e de gestão na saúde pública.
Atualmente, mais de 70% das farmácias da região Oeste participam no projeto, abrangendo vários concelhos, incluindo Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras. Com cerca de 60 mil pessoas a frequentar semanalmente estas farmácias, a rede assegura uma cobertura populacional significativa, permitindo um acompanhamento detalhado da evolução dos vírus respiratórios na comunidade.
Os dados recolhidos são registados pelos farmacêuticos através de um formulário eletrónico integrado no software das farmácias, onde são indicados os sintomas apresentados pelos utentes e os resultados dos testes rápidos efetuados. Esta metodologia permite monitorizar a intensidade, o padrão temporal das infeções e a taxa de positividade para diferentes vírus respiratórios, complementando outros instrumentos de monitorização já existentes na região.
Esta colaboração interinstitucional reforça a importância das farmácias comunitárias como parceiros estratégicos na saúde pública, pela sua proximidade às pessoas, confiança dos utentes e conhecimento do território. O projeto não só fortalece a vigilância epidemiológica no período crítico do inverno, como também apoia ações de promoção da etiqueta respiratória, da vacinação e da gestão adequada da sintomatologia aguda não grave, com impacto direto na redução da transmissão viral e na diminuição da afluência desnecessária aos serviços de urgência hospitalares.
Este sistema inovador demonstra como a articulação entre os cuidados de saúde primários, hospitalares e as farmácias comunitárias pode potenciar respostas mais rápidas, eficazes e fundamentadas em evidência, contribuindo para a sustentabilidade e resiliência do sistema de saúde regional.
NR/HN/AL



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