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O executivo municipal de Sintra deu hoje luz verde a uma proposta do seu presidente, Marco Almeida (PSD), que visa revogar a deliberação de adesão à UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa. A medida, que ainda carece de ratificação pela Assembleia Municipal, foi aprovada com os votos favoráveis da coligação PSD, de um independente (ex-IL) e do Chega, enquanto o PS se opôs.
Na fundamentação, a proposta sublinha que, ao longo dos anos, “não se registou um histórico de ações de interesse para o concelho”, questionando a pertinência da manutenção de uma associação que custa anualmente 4.500 euros aos cofres municipais. A adesão remonta a abril de 2011, por iniciativa do então presidente da câmara Fernando Seara, também do PSD.
Durante a discussão na reunião de executivo, Bruno Parreira, vereador do PS, trouxe à colação um parecer técnico interno, datado de janeiro, que sugeria um caminho oposto. O documento, um tanto quanto ambivalente, apontava que, face à significativa comunidade migrante no concelho, “poderia ser tentado incrementar esta ligação”, por exemplo através do acolhimento de iniciativas que aprofundassem laços com países lusófonos. “O entendimento dos serviços ia no sentido da permanência”, afirmou Parreira, classificando a decisão política de saída como um “claro e manifesto desperdiçar de potencialidade” num território multicultural como Sintra.
Marco Almeida, por seu lado, rebateu com um argumento pragmático e um dado concreto: nos últimos 12 anos, a autarquia sintrense não se fez representar em nenhuma reunião da organização. “Não faz sentido que nos mantenhamos em associações das quais não tiramos nenhum dividendo”, justificou o edil, acrescentando que todas as filiações serão agora pesadas numa lógica de custo-benefício. “Se não tiverem nenhuma [rentabilidade], é escusado estar a pagar cotas anuais que apenas não servem para nada”, rematou.
A decisão parece ter sido catalisada por uma comunicação recente da UCCLA a marcar a sua próxima Assembleia-Geral para abril de 2026, em Macau. Fundada em 1985, a organização, que tem na língua portuguesa o seu elemento aglutinador, conta atualmente com 24 membros efetivos – como Angra do Heroísmo e Guimarães – e 32 associados, entre os quais os municípios vizinhos de Cascais e Oeiras. A sua ação desdobra-se por áreas como a cultura, a cooperação para o desenvolvimento e a promoção empresarial. Para Sintra, esse capítulo está, por vontade da atual maioria, prestes a fechar-se.
NR/HN/Lusa



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