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Os ventos rugiram com uma força incomum e a depressão Kristin deixou a sua marca no Hospital Distrital da Figueira da Foz (HDFF). Logo pela madrugada de hoje, estilhaços de vidraças partidas espalharam-se por várias áreas do edifício, situado numa zona particularmente exposta, junto à praia e à foz do Mondego. Uma fonte oficial da unidade, que é sede da Unidade Local de Saúde (ULS) do Baixo Mondego, confirmou à Lusa os danos, que forçaram condicionamentos em serviços.
“Em consequência, alguns gabinetes [de consultas externas e outros] e o bloco operatório encontram-se temporariamente condicionados, não sendo, neste momento, possível garantir a circulação segura de utentes até essas zonas”, explicou a mesma fonte, por volta das 11:00. A imagem que descreve é a de um hospital a trabalhar para conter os estragos de uma noite de temporal, com equipas técnicas já no terreno a avaliar os prejuízos. A boa notícia, sublinhou a porta-voz, é que a situação em si não afetou diretamente os doentes que já se encontravam internados. Eles foram devidamente protegidos dos efeitos mais violentos da tempestade.
A ULS do Baixo Mondego não perdeu tempo e ativou os seus procedimentos internos de emergência. O objetivo agora passa por restabelecer as condições de segurança e o funcionamento normal dos serviços “com a maior brevidade possível”. Enquanto isso, o trabalho de reparação avança, mas a circulação de utentes nas zonas atingidas mantém-se limitada. Este episódio no hospital encaixa num cenário mais vasto de caos causado pela Kristin em Portugal. A depressão, que entrou pelo distrito de Leiria, trouxe consigo um rasto de destruição: duas vítimas mortais, uma em Vila Franca de Xira e outra em Leiria, e mais de mil ocorrências registadas pela Proteção Civil só durante a madrugada.
São números que falam por si. Quedas de árvores e de estruturas várias dominaram o balanço, com os distritos de Leiria, Coimbra e Lisboa no centro da fúria dos elementos. Os efeitos colaterais sentem-se um pouco por todo o lado. Estradas cortadas, linhas ferroviárias paralisadas, escolas encerradas e interrupções no fornecimento de energia, água e comunicações são relatos comuns. O mar agitado e a chuva intensa completam um quadro meteorológico severo que levou a Proteção Civil a decretar o estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, para toda a faixa costeira entre Viana do Castelo e Setúbal. Os avisos vermelhos, o grau mais perigoso, mantinham-se hoje para toda a costa continental, num alerta máximo que parece justificar-se perante a dimensão dos estragos.
NR/HN/Lusa



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