![]()
O mais recente balanço diário da Direção Nacional de Saúde Pública de Moçambique, com dados reportados até 27 de janeiro, confirma a tendência crescente da doença no país. Entre 03 de setembro e essa data, o surto atual totaliza 3.091 casos e 36 óbitos, tendo a taxa de letalidade subido para 1,2%. Apenas nas 24 horas anteriores ao fecho do boletim foram registados 56 novos doentes.
O peso da doença é sentido sobretudo no centro e norte do território. A província de Nampula, sozinha, concentra 1.546 casos e 19 mortos. Segue-se Tete, com 1.075 infeções e 15 óbitos, e Cabo Delgado, com 470 casos e duas mortes registadas. Os quatro falecimentos ocorridos nos últimos quatro dias do balanço distribuem-se pelas províncias de Nampula e Tete.
Este novo surto surge na sequência de um anterior, que entre outubro de 2024 e julho de 2025 provocou 64 mortos entre 4.420 infetados. No conjunto do ano passado, e segundo dados avançados pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, perante os deputados no parlamento, a cólera terá ceifado pelo menos 169 vidas em Moçambique, num universo de cerca de 40 mil casos. Um número que, reconheceu o governante, reflete um problema sério de comunicação com as comunidades.
“Recebemos cerca de 3,5 milhões de doses de vacinas para poder tratar e prevenir a cólera”, disse Ussene Isse no seu discurso, no passado dia 10 de dezembro. Mas o ministro fez questão de vincar que “cerca de 70%” das mortes de 2025 “ocorreram na comunidade”, um sinal alarmante de que muitas pessoas não estão a chegar a tempo aos cuidados de saúde ou a adotar as medidas preventivas. Isse apelou assim ao respeito pelas regras de higiene individual e coletiva, fundamentais para travar a transmissão.
O governo moçambicano traçou uma meta para eliminar a cólera enquanto problema de saúde pública até 2030. O plano, aprovado em Conselho de Ministros a 16 de setembro, está orçado em 31 mil milhões de meticais, o equivalente a cerca de 418,5 milhões de euros. Um caminho longo, que terá de passar necessariamente por um maior combate às causas profundas da doença, como o acesso limitado a água potável e saneamento, e por uma comunicação mais eficaz junto das populações mais vulneráveis.
NR/HN/Lusa



0 Comments