Depressão Kristin causa prejuízos de milhões e leva Ferreira do Zêzere a pedir estado de calamidade

29 de Janeiro 2026

O Município de Ferreira do Zêzere vai solicitar ao Governo a declaração do estado de calamidade no concelho, na sequência dos elevados prejuízos provocados pela passagem da depressão Kristin, que atingiu de forma particularmente severa este território do interior.

Segundo a autarquia, trata-se de um concelho de grande extensão territorial, marcado por baixa densidade demográfica e pela dispersão da população, além de uma mancha florestal densa, fatores que contribuíram para agravar os impactos do temporal e aumentaram significativamente a complexidade da resposta no terreno.

Entre os danos registados destaca-se a queda de milhares de árvores em todo o concelho, que constitui a principal causa da obstrução generalizada das vias principais e secundárias, caminhos municipais e acessos a habitações isoladas. Esta situação comprometeu seriamente a mobilidade, dificultando o acesso às populações mais vulneráveis e a prestação do apoio necessário, exigindo um esforço operacional de grande dimensão.

As fortes rajadas de vento provocaram ainda danos extensos no edificado, com centenas de habitações a apresentarem coberturas parcial ou totalmente destelhadas, colocando em risco os bens das famílias afetadas e fragilizando a sua capacidade de resposta face à emergência.

O concelho encontra-se sem fornecimento de eletricidade e sem redes de comunicações, na sequência da destruição de infraestruturas essenciais, incluindo antenas de telecomunicações e centenas de postes de eletricidade de baixa, média e alta tensão. De acordo com o município, não existem, à data, perspetivas de uma reposição rápida destes serviços.

Os prejuízos globais são estimados em vários milhões de euros, resultantes de danos em vias públicas, sinalização rodoviária, infraestruturas municipais, unidades industriais, pequenas e médias empresas, habitações particulares, bem como nas atividades florestais e agrícolas.

Está em curso uma resposta operacional alargada, que envolve os serviços municipais, agentes de proteção civil e meios externos, contando também com uma forte mobilização da comunidade local. Os munícipes têm demonstrado grande solidariedade, sinalizando situações críticas e apoiando vizinhos, numa resposta considerada essencial face à dimensão dos estragos.

Técnicos municipais e equipas sociais encontram-se no terreno a acompanhar todas as situações identificadas, tendo sido encontradas soluções para todas as emergências sinalizadas até ao momento. Na sequência da falha generalizada das comunicações, dezenas de munícipes têm recorrido aos serviços da Câmara Municipal, que se mantêm operacionais, para contactar familiares em Portugal e no estrangeiro que aguardam notícias.

Face à dimensão e gravidade dos danos, que ultrapassam a capacidade de resposta normal do município, a Câmara Municipal considera indispensável a ativação de mecanismos extraordinários de apoio, através da declaração do estado de calamidade. A autarquia apela simultaneamente à colaboração da população e garante que continuará a prestar informação de forma regular e transparente, mantendo como prioridades a segurança das pessoas, a proteção dos bens e a recuperação do concelho.

NR/HN(AL

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