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A falta de médicos nos quadros da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste atingiu um ponto crítico, com vários serviços dependentes de prestadores de serviço externos e a progressão nas carreiras praticamente paralisada. O diagnóstico foi traçado pelo Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) após uma visita ao hospital de Bragança e reuniões com profissionais, que manifestaram um profundo desalento. A presidente do SMN, Joana Bordalo e Sá, descreveu realidades particularmente frágeis em serviços como a ginecologia e obstetrícia, mas também na ortopedia, onde a atividade corrente de consulta e internamento está entregue a especialistas sem vínculo permanente à instituição. “Não estamos a falar de urgência, estamos a falar mesmo de consulta, internamento, e é dos sítios mais difíceis”, frisou.
Para além do vazio nos quadros, persiste uma outra chaga que mina a motivação: a congelamento das carreiras. Joana Bordalo e Sá afirmou que praticamente todos os médicos da unidade não são avaliados e permanecem no primeiro patamar das suas categorias, sem qualquer evolução, seja vertical ou horizontal. “É um processo normal, regular que não está a existir”, declarou, adiantando que o sindicato vai exigir explicações e respostas do conselho de administração. Esta estagnação ocorre num contexto em que o número de médicos internos a iniciar formação na ULS do Nordeste tem caído de forma abrupta, passando de 38 em 2024 para uma previsão de apenas 11 em 2026, num total de 46 vagas existentes.
O sindicato não poupou críticas ao Governo de Luís Montenegro, acusando-o de não investir suficientemente na contratação e na formação de médicos para o Interior. A exigência de “equidade” na distribuição de vagas entre Litoral e Interior foi sublinhada como um ponto não negociável para inverter a debilidade do serviço. Outro antigo problema que continua a pairar é o encerramento da urgência cirúrgica do hospital de Mirandela, há mais de dois anos, com o SMN a reclamar a sua reabertura sem mais delongas. Questionada pela Lusa sobre estas acusações e preocupações, a administração da ULS do Nordestre limitou-se a informar que não tinha informação a acrescentar sobre o assunto.
NR/HN/Lusa



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