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Perante a previsão de condições meteorológicas severas, que tantas vezes resultam em acidentes domésticos, inundações ou problemas de mobilidade, a ULS de Santo António decidiu avançar com um esclarecimento público. A mensagem central apela ao discernimento no uso dos serviços de urgência, buscando traçar uma linha clara entre o que constitui uma emergência médica e o que pode ser resolvido por outros canais. A instituição sublinha o número europeu de emergência, 112, reservado para situações de risco de vida, como dificuldades respiratórias graves, suspeita de AVC, hemorragias incontroláveis ou perda de consciência. Já para questões clínicas menos prementes, o contacto deve ser feito através da linha SNS 24, no número 808 24 24 24, que oferece triagem e aconselhamento. Esta distinção, consideram os responsáveis, é vital para garantir que os meios de socorro não se sobrecarreguem e respondam com celeridade aos casos verdadeiramente sérios.
O comunicado não se limita, contudo, à mera indicação de números telefónicos. Entra em domínios mais práticos, quase caseiros, ao detalhar procedimentos para cenários comuns em dias de temporal. Em caso de inundação dentro de casa, a primeira medida deve ser desligar a eletricidade e o gás, se possível, em segurança. É salientado, com particular ênfase, que se houver água perto de tomadas ou cabos elétricos, as pessoas não devem intervir e sim chamar os técnicos competentes. O contacto com águas possivelmente contaminadas deve ser evitado, sendo crucial proteger quaisquer feridas existentes.
Um dos pontos que merece atenção específica é o chamado “quase afogamento”. A ULS alerta que, mesmo após um incidente de submersão em que a pessoa aparenta estar bem, podem surgir complicações respiratórias de forma tardia, nas horas seguintes. Sintomas como falta de ar, tosse persistente, pieira ou um estado de sonolência marcada devem levar à procura imediata de ajuda médica. O mesmo critério de urgência se aplica a traumatismos cranianos decorrentes de quedas ou de queda de objetos. Vómitos repetidos, uma dor de cabeça que não cede e, antes, se intensifica, ou o surgimento de fraqueza num membro são sinais de alarme que não admitem espera.
Para quem não tiver alternativa senão deslocar-se, a Unidade Local de Saúde relembra a importância de seguir as indicações da Proteção Civil, transportar identificação, medicação habitual, água e um telemóvel com bateria. Em situações de agravamento de uma doença crónica, a chamada para o SNS 24 deve ser o primeiro passo, e não a ida direta ao hospital. A instituição, que tem uma longa história ligada ao ensino e à prestação de cuidados de saúde na região norte – integrando hospitais como o de Santo António ou o Maria Pia, e agrupamentos de centros de saúde –, reforça assim o seu papel na orientação da comunidade, especialmente em momentos de maior vulnerabilidade. A parceria sólida com o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (ICBAS) sustenta parte desta missão académica e assistencial.
PR/HN/MM



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