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O montante, atribuído pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do concurso “ERC-PT-A Projects”, permitirá à cientista desenvolver durante cinco anos uma linha de trabalho que espreita os bastidores da nossa noite. O foco recai sobre o hipocampo, essa estrutura cerebral profundamente envolvida na construção das memórias, e numa teia de processos que lá ocorrem enquanto dormimos. O objetivo é cartografar as interações dinâmicas entre os neurónios e as células da glia, uma população de suporte outrora considerada mera coadjuvante mas hoje vista como crucial na regulação do ambiente neuronal.
Durante o sono, o cérebro não descansa por completo. Pelo contrário, é palco de uma intensa atividade de consolidação, onde as experiências do dia são selecionadas, transformadas e armazenadas. Sara Calafate propõe-se a investigar como é que esse processo depende de um diálogo fino entre sinapses – as conexões entre neurónios – e as células gliais que as rodeiam. “Há toda uma orquestração que mal começamos a entender”, admite a investigadora, cujo trabalho anterior já a tinha levado a identificar alterações precoces em sistemas de regulação do sono em modelos de Alzheimer. Esta nova bolsa surge, de certo modo, como um desdobramento natural dessa descoberta, na tentativa de perceber se o malfuncionamento desses mecanismos pode estar na base de alguns défices cognitivos.
O percurso de Sara Calafate, de 36 anos e natural da Póvoa de Varzim, ajuda a explicar a génese do projeto. Depois de uma licenciatura em Biologia Aplicada na UMinho e de um mestrado em Coimbra, rumou à Bélgica para doutoramento e pós-doutoramento na Universidade Católica de Lovaina, numa parceria com a indústria farmacêutica. Regressou a Portugal no ano passado, trazendo na bagagem uma bolsa Marie Curie e a vontade de montar a sua própria equipa em Braga, no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde. O caminho tem sido marcado por reconhecimentos, caso do recente Prémio Maria de Sousa, e pela capacidade de atrair financiamento competitivo de organismos como a Organização Europeia de Biologia Molecular.
O projeto agora financiado insere-se num esforço mais amplo para decifrar como os circuitos neuronais mantêm um equilíbrio funcional, uma plasticidade estável que permite a formação precisa de memórias sem que o sistema descambe para o caos. A cientista espera que, ao iluminar o papel do sono neste equilíbrio, se possam abrir, a longo prazo, novas perspetivas sobre condições onde tanto o sono como a memória falham. O trabalho laboratorial arranca em breve, prometendo noites em claro para a equipa, enquanto esta estuda o que se passa nas nossas.
PR/HN/MM



Que bom. Espero que descubra solucao..Eu sofro de apneia do sono,durmo com máscara, e notei uma diferenca enorme,depois de comecar a usar a máscara. Acabaram as dores decabeca matinais, menos cansaço, e melhor memorua e disposição. Parabens à Sara Calafate. Sucesso.