Democratas do Senado e Casa Branca alcançam acordo para evitar paralisação do Governo

30 de Janeiro 2026

A Casa Branca chegou a acordo com a liderança democrata no Senado para evitar uma paralisação parcial do governo hoje, financiando temporariamente o Departamento de Segurança Interna (DHS). 

Segundo os media norte-americanos, as duas partes concordaram em separar de um projeto de lei de despesa de agências governamentais o financiamento do polémico DHS, assegurando a este fundos para duas semanas enquanto debatem exigências democratas por restrições à atuação da Agência de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla inglesa).

O acordo surge depois de os democratas terem votado na quinta-feira contra a legislação que financiaria o DHS.

Numa publicação nas redes sociais, Trump afirmou que “republicanos e democratas uniram-se para garantir o financiamento até setembro da grande maioria do governo”, enquanto discutem o DHS.

Encorajou ainda os membros de ambos os partidos a aprovarem a extensão de financiamento do governo, “um voto bipartidário muito necessário”.

O Senado poderá votar o acordo já na noite de quinta-feira, segundo a AP.

Os líderes republicanos, que pretendiam uma extensão mais longa do financiamento para o DHS, ainda estão em consultars à sua bancada para garantir que não havia objeções ao acordo e que este poderia ser aprovado rapidamente.

Na Câmara dos Representantes, o presidente Mike Johnson, republicano do Louisiana, disse à AP que se opunha “veementemente” ao desmembramento do pacote de financiamento, mas que, se tal for avante, terá se ser “aprovado o mais rapidamente possível”.

“Não podemos permitir a paralisação do governo”, adiantou.

Sem acordo, à meia-noite de sexta-feira, vários departamentos federais suspenderiam atividades, cenário que implicaria a dispensa temporária de milhares de funcionários públicos.

A votação de teste no Senado (câmara alta do Congresso norte-americano) terminou na quinta-feira com 45 votos a favor e 55 contra.

O impasse no Congresso ocorre num contexto de indignação após a morte de dois cidadãos norte-americanos em Minneapolis às mãos de agentes federais do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE, na sigla em inglês), levando os democratas a apresentar uma lista de exigências, incluindo, entre outros aspetos, a identificação visível dos agentes e a obrigatoriedade de mandados.

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que o seu partido não fornecerá os votos necessários enquanto o ICE não for “restabelecido e reformulado”.

“O povo americano apoia a aplicação da lei, mas não apoia o ICE a aterrorizar as ruas e a matar cidadãos americanos”, declarou Schumer.

Os democratas defendem que o financiamento da Segurança Interna seja destacado do restante projeto, que inclui verbas para o Departamento de Defesa e outras agências, permitindo negociações adicionais.

A nova paralisação surgiria apenas dois meses depois de um bloqueio de 43 dias provocado por um impasse sobre subsídios federais à saúde.

O líder da maioria republicana no Senado, John Thune, apelou ao diálogo, afirmando que as partes “estão a aproximar-se”.

A senadora democrata do Minnesota, Tina Smith, afirmou existir “unanimidade e propósito partilhado” na bancada, defendendo que os agentes do ICE devem cumprir as mesmas regras das polícias locais.

Entretanto, o conselheiro presidencial Tom Homan, conhecido com o “czar das fronteiras”, disse em Minneapolis que está a ser preparado um plano para reduzir o número de agentes no estado do Minnesota, condicionado à cooperação das autoridades estaduais.

Os democratas exigem ainda o fim das patrulhas itinerantes, maior coordenação com as polícias locais e um código de conduta vinculativo, incluindo uso de câmaras corporais.

lusa/HN

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