Liga Contra o Cancro em Marcha Forçada para Nova Era no Diagnóstico da Mama

30 de Janeiro 2026

A Liga Portuguesa Contra o Cancro prevê um investimento de 15 milhões de euros para substituir a mamografia convencional pela tomossíntese em todo o rastreio nacional. A alteração, que exigirá novos equipamentos e reforço de recursos, visa uma deteção mais precoce e abrangerá mulheres entre os 45 e os 74 anos

O presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Vítor Veloso, traçou hoje, num tom que misturava ambição e preocupação, o caminho de uma transição tecnológica que classifica como “grande empreitada”. O plano prevê investir 15 milhões de euros para que o rastreio populacional do cancro da mama em Portugal abandone de vez a mamografia convencional e adote a tomossíntese mamária como exame primário. Se concretizado no prazo de dois anos que antevê, o país tornar-se-á o primeiro na Europa a implementar esta norma em larga escala para toda uma população-alvo.

Em declarações à agência Lusa, a partir do Porto, Vítor Veloso não escondeu a dimensão do esforço financeiro. A cifra milionária será canalizada para a aquisição de novos equipamentos, de unidades móveis e para o inevitável reforço da capacidade de armazenamento de dados e de recursos humanos. “São imagens que vão de milímetro a milímetro”, explicou, referindo-se à tecnologia que capta múltiplas projeções de raios X de baixa dose e, depois, as reconstrói em imagens tridimensionais. Este método, sustenta, reduz a sobreposição de tecido e melhora a sensibilidade da leitura, permitindo detetar lesões minúsculas.

A mudança surge no seguimento da atualização da norma de rastreio, que no ano passado alargou a faixa etária das mulheres abrangidas, dos 50 aos 69 para os 45 aos 74 anos. Uma decisão que seguiu recomendações europeias e agora obriga a uma revolução nos meios técnicos. Veloso frisou que a tomossíntese já era utilizada em alguns núcleos da LPCC, mas apenas na chamada consulta de aferição, após uma mamografia suspeita. A partir de agora, será a porta de entrada.

O presidente da Liga deixou, contudo, um lamento entre as linhas da exposição técnica. “Gostaríamos que o Governo olhasse para nós e nos brindasse com algum tipo de apoio, como, por exemplo, faz com as fundações”, afirmou, num desvio do registo puramente factual. “Há um sem número de fundações que têm milhões e a Liga tem zero”, acrescentou, numa clara manifestação de apelo. A sustentabilidade financeira do projeto garantiu; não está em causa – a implementação avançará “com ou sem ajudas” –, mas o apoio oficial seria, obviamente, bem-vindo.

O ritmo da implementação, admitiu, dependerá das dinâmicas do mercado e da capacidade de financiamento dos vários núcleos regionais da LPCC. Mas a convicção sobre o impacto da medida não vacila. Para Vítor Veloso, mais do que um salto tecnológico, este é um passo que se traduzirá em “maior possibilidade de curas”. A estrada é longa e o custo é avultado, mas, no final, a promessa é que mais cancros iniciais serão apanhados numa fase em que a medicina pode atuar com muito maior eficácia.

PR/HN/MM

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