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Fonte da Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria esclareceu que não foi notificada, até à data, pela instauração de um inquérito por parte da Procuradoria-Geral da República.
“Eventualmente, o inquérito decorre de um certificado de óbito sem causa de morte (BIC – Boletim de Informação Clínica Circunstancial), esclareceu.
De acordo com o filho, a idosa, residente em Leiria, deu entrada no serviço de urgência geral do Hospital de Santo André, pelas 17:20 de dia 21 de dezembro de 2025.
Nesse dia, após o almoço, devido às suas queixas respiratórias e pelo facto de apresentar febre, o homem mediu-lhe a saturação do oxigénio, que revelou valores abaixo do mínimo saudável.
Contactada a Linha Saúde 24, a situação foi encaminhada para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes, que enviou uma ambulância. Após avaliação, à utente foi colocada uma máscara de oxigénio até ser transportada ao hospital, referiu o filho.
“A minha mãe levava o telemóvel com ela. Pelas 18:30, liguei-lhe e não me atendeu. Mandei SMS e não respondeu. Dirigi-me ao hospital para saber informações, mas disseram-me que tinha de esperar três ou quatro horas”, revelou o filho, que pediu para não ser identificado.
Poucos minutos antes das 21:00, o homem foi de novo à unidade de saúde e uma enfermeira explicou-lhe que a mãe estava com a pulseira verde a aguardar no corredor da sala de espera para ser observada.
“Pediu-me que esperasse junto ao segurança, para que eu pudesse estar um pouco com ela”, adiantou.
Cerca de dez minutos depois, a enfermeira pediu ao filho que voltasse a entrar no gabinete de informações e voltou com um médico.
“Disse-me que a minha mãe tinha dado entrada com insuficiência respiratória avançada e que entrou em paragem cardiorrespiratória. Tentaram reanimá-la e não conseguiram”, relatou.
Quando se dirigiu à mãe, constatou que o corpo estava frio. “Não fazia sentido estar tão frio se tivesse morrido às 21:02, como foi registado”, desabafou.
“Estranhei que me tenham indicado a causa da morte e não o tenham escrito no relatório”, disse o filho, que já foi ao Ministério Público (MP) prestar declarações.
O filho disse que pode ter havido negligência na triagem e referiu que aguarda o relatório final da autópsia para decidir se avança com uma queixa-crime contra a ULS.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República, “confirma-se a instauração de um inquérito, tendo o Ministério Público determinado a realização da autópsia médico-legal”.
Em resposta à Lusa, a ULS explicou que o processo de triagem “foi efetuado de acordo com o protocolo em vigor e com base na avaliação clínica realizada no momento da admissão da utente”.
“Relativamente às afirmações produzidas quanto ao momento da observação clínica, informa-se que no momento em que o familiar solicitou informações, a doente já se encontrava na sala de emergência, onde estavam a encetar todos os esforços de reanimação. O filho foi informado presencialmente pelo médico sobre todos os procedimentos”, acrescentou a ULS.
Segundo o conselho de administração, “foram cumpridos os procedimentos adequados e protocolares de acordo com as boas práticas”.
lusa/HN



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