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Metade das freguesias de Castelo Branco permaneciam, esta sexta-feira, sem energia elétrica, um cenário que o autarca Leopoldo Rodrigues descreveu com apreensão, apontando para prejuízos materiais avultados e dificuldades concretas, sobretudo entre idosos e doentes. A confirmação surgiu durante a visita do ministro da Agricultura e Mar ao distrito, um dos mais fustigados pela depressão Kristin.
“Infelizmente ainda não conseguimos fazer o levantamento de todas as situações”, admitiu Rodrigues, visivelmente afetado pelo desgaste das últimas horas. A sua fala, por vezes entrecortada, denotava a pressão de gerar uma crise imprevista. “Havemos de o fazer nos próximos dias, mas estão sinalizados um conjunto de prejuízos muito importante”, acrescentou, sem conseguir esconder a frustração. Dos 22 aglomerados populacionais do concelho, apenas três registavam, ao certo, a situação regularizada. As restantes dividiam-se entre um apagão total e fornecimentos intermitentes, um quadro que levou o município a integrar a lista de sessenta sob regime de calamidade, decretado na quinta-feira.
O autarca centrou as suas maiores inquietações nos sectores mais sensíveis. “Tentámos desde o início acautelar a situação nos lares de idosos. Alguns não conseguimos, mas a E-Redes fê-lo através da colocação de geradores”, explicou, reconhecendo a insuficiência das medidas perante a escala dos danos. “É uma situação que nos preocupa bastante. Há pessoas já em dificuldades”, insistiu, mencionando depois, num tom mais grave, os casos de doentes dependentes de equipamentos elétricos para respirar. “Temos um conjunto de situações que nos preocupam. Temos estado em contacto continuo com a E-Redes”, rematou, numa alusão aos esforços para restabelecer a normalidade num prazo incerto.
O caos instalado pela passagem do temporal Kristin, na quarta-feira, estende-se muito para além dos limites de Castelo Branco. O balanço provisório da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil aponta para cinco mortos, um número que a Câmara da Marinha Grande contesta, referindo uma outra vítima mortal no seu território. O rasto material é extenso: estradas bloqueadas, linhas férreas interrompidas, escolas encerradas e comunicações precárias. Os distritos de Leiria, Coimbra e Santarém surgem, por agora, como os mais afetados. O governo mantém a declaração de calamidade para os sessenta municípios iniciais, mas não afasta a possibilidade de alargar esse número, dependendo da evolução das avaliações técnicas que decorrem no terreno.
NR/HN/Lusa



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