ULS Entre Douro e Vouga junta-se a aliança mundial por hospitais sustentáveis

30 de Janeiro 2026

A Unidade Local de Saúde Entre Douro e Vouga formalizou a sua adesão à rede Global Green and Healthy Hospitals, comprometendo-se publicamente com uma trajetória de redução do impacto ambiental da sua atividade. A integração nesta comunidade internacional, que agrega dezenas de milhares de instituições, surge no seguimento de um conjunto de medidas já adotadas pela unidade de saúde portuguesa

A decisão, comunicada pela administração da ULSEDV, materializa um alinhamento estratégico com os objetivos da Agenda GGHH, um roteiro que estrutura a atuação em dez áreas interdependentes, da gestão de resíduos às compras responsáveis. A rede, uma iniciativa da organização Health Care Without Harm, funciona como uma plataforma colaborativa para a partilha de conhecimento e a aceleração de práticas mais verdes no setor da saúde a nível global.

Para a unidade de saúde portuguesa, a filiação não é um ponto de partida, mas antes o reconhecimento formal de um percurso já iniciado. Nos últimos anos, a instituição avançou com a substituição progressiva de equipamentos de iluminação por tecnologia LED, uma intervenção que se traduziu numa fatura energética mais contida. Paralelamente, foram sendo introduzidas medidas de eficiência nos sistemas de climatização e otimizados os circuitos internos de separação de resíduos, com particular atenção aos fluxos específicos como os químicos ou os eletrónicos.

Há, contudo, uma perceção clara de que o caminho é longo. A ambição declarada passa agora por escalar esses projetos-piloto, dotando-os de uma maior abrangência, e por explorar novas frentes complexas, como a descarbonização dos transportes associados à atividade hospitalar ou a circularidade nas aquisições. A adesão à rede internacional surge precisamente com esse intuito: aceder a um repositório vasto de casos práticos e estabelecer contactos que possam evitar a repetição de erros e inspirar soluções adaptadas ao contexto local.

O setor da saúde, lembra-se no comunicado da ULSEDV, é um consumidor intensivo de recursos e um produtor significativo de resíduos, pelo que a sua transformação é vista como um imperativo de saúde pública. A transição para um modelo operacional de baixo carbono e mais resiliente não é encarada como um custo, mas como um investimento na prevenção de doenças e na criação de ambientes de cura mais salubres. A integração na GGHH pretende, assim, conferir um novo impulso a esta visão, embora os responsáveis admitam que os resultados mensuráveis levarão o seu tempo a materializar-se.

A notícia da adesão foi recebida com interesse por associações do setor ambiental, que veem na movimentação um sinal promissor, ainda que sublinhem a importância de se manter o ritmo de execução. A verdade é que, para lá das declarações de intenção, o desafio reside na capacidade de implementação quotidiana, num equilíbrio constante com as urgentes pressões assistenciais que caracterizam a atividade hospitalar.

PR/HN/MM

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