A face oculta da recuperação: traumas e acidentes multiplicam-se nos trabalhos pós-temporal

31 de Janeiro 2026

Mais de quatro centenas de pessoas necessitaram de cuidados hospitalares por traumes em acidentes ocorridos durante trabalhos de limpeza e reconstrução após a passagem da depressão Kristin, segundo a Unidade Local de Saúde da Região de Leiria. As autoridades apelam ao reforço das medidas de segurança

O número de pessoas que acorreram ao serviço de Urgência do Hospital de Santo André, em Leiria, com ferimentos resultantes de acidentes ocorridos durante os trabalhos de limpeza e reconstrução pós-temporal subiu para mais de quatro centenas. Segundo uma informação divulgada pela Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, registaram-se, até às 13:00 de hoje, 424 entradas de doentes com trauma. Um dos casos é descrito como crítico.

A situação levou a ULS a reforçar publicamente o apelo no sentido de a população adotar todas as medidas de precaução enquanto procede à remoção de destroços ou à reparação de estragos nas habitações. A unidade de saúde sublinha o “aumento significativo” da afluência ao serviço de Urgência, precisamente por causa destes traumatismos, e pede civismo para que se recorra a este serviço apenas em casos de extrema necessidade. “Encontra-se totalmente focada na resposta assistencial à situação de emergência”, pode ler-se no comunicado.

Ecoando o alerta, o vereador da Proteção Civil da Câmara Municipal de Leiria, Luís Lopes, dirigiu-se directamente às pessoas que, no terreno, tentam retomar a normalidade. “Em primeira instância, a prioridade é sempre a vida humana”, afirmou, num lembrete claro dos perigos que estas tarefas acarretam, muitas vezes executadas por voluntários ou por cidadãos sem equipamento adequado.

No capítulo logístico, a ULS informou que o Hospital de Santo André tem o fornecimento de energia garantido e já viu o abastecimento de água restabelecido. O Plano de Emergência e Catástrofe permanece no nível 2. Na área da influência da ULS, que abrange oito concelhos, os centros de saúde sede de concelho funcionam com normalidade e retomaram o atendimento complementar, com horários alargados em vários locais como Marinha Grande, Nazaré e Ourém.

O balanço da depressão Kristin, que varreu o país na quarta-feira, continua a ser feito. Para além dos estragos materiais extensos – quedas de árvores, cortes de estradas e linhas férreas, interrupções no fornecimento de serviços essenciais –, a Proteção Civil confirmou pelo menos cinco vítimas mortais em território continental, número ao qual a Câmara da Marinha Grande acrescenta mais uma ocorrência no seu concelho. Os distritos de Leiria, Coimbra e Santarém figuram entre os mais afectados.

Cerca de 60 municípios permanecem, por decisão do Governo, em situação de calamidade até ao final do dia de amanhã, 1 de fevereiro.

NR/HN/Lusa

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