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O Programa Alimentar Mundial (PAM) pode ser forçado a reduzir drasticamente, para apenas 72 mil pessoas, o número de beneficiários de ajuda alimentar de emergência na Nigéria nas próximas semanas. A queda vertiginosa, que representa quase 90% dos atuais 650 mil assistidos, deve-se a um severo subfinanciamento crónico.
Abuja, 30 jan 2026 (Lusa) – A assistência alimentar vital para centenas de milhares de nigerianos enfrenta uma redução catastrófica. Matthew Hollingworth, diretor executivo-adjunto das operações do PAM, revelou à France-Presse (AFP) que, sem fundos adicionais imediatos, o programa poderá assistir apenas 72 mil pessoas nas próximas semanas, um número que espelha um corte de quase 90% face aos atuais 650 mil beneficiários. Esta cifra já era, por si só, uma fatia mínima dos necessitados. “Os 650.000 beneficiários já representam uma prioridade extrema, pois estamos a direcionar a ajuda para os mais vulneráveis entre um universo muito mais alargado”, descreveu Hollingworth em Abuja, num tom que não esconde a gravidade. O panorama é uma espiral descendente: há dois anos e meio, o PAM apoiava mensalmente dois milhões de pessoas no país, sobretudo no nordeste assolado por conflitos. A implacável erosão do financiamento internacional forçou sucessivas reduções. O contexto não podia ser pior. Em novembro, a própria agência da ONU projetou que cerca de 35 milhões de nigerianos, num total de 230 milhões, deverão enfrentar grave insegurança alimentar durante a época de escassez de 2026. Um dado que o Banco Mundial corrobora de forma indirecta, ao estimar que mais de 60% da população vive na pobreza, não obstante as riquezas petrolíferas do país. Nos últimos meses, o agravamento da situação de segurança, com grupos armados a controlarem vastas áreas no norte, tem limitado o acesso a campos agrícolas e estrangulado ainda mais a já frágil subsistência das comunidades. O cenário de cortes funde-se com uma retração mais ampla da ajuda externa, iniciada sob a administração de Donald Trump nos Estados Unidos e seguida por outros doadores tradicionais que apertaram os seus orçamentos. O resultado é esta equação brutal, onde a falta de dinheiro se traduzirá, em breve, em pratos vazios para centenas de milhares.
NR/HN/Lusa



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