Maternidade de Abrantes atinge marco histórico com influxo de utentes de outras regiões

31 de Janeiro 2026

A Unidade Local de Saúde do Médio Tejo registou 823 partos em 2025, superando pela primeira vez a barreira dos 800 nascimentos anuais. O crescimento de cerca de 9% face a 2024 é alimentado por uma procura significativa de grávidas de concelhos fora da área de abrangência da unidade hospitalar

A maternidade da ULS Médio Tejo, sediada em Abrantes, contabilizou 823 nascimentos no ano de 2025, um número que estabelece um novo marco para a unidade e que reflete uma dinâmica de crescimento sustentado. Os dados, divulgados esta terça-feira, mostram um aumento aproximado de 9% em relação aos 755 partos de 2024, invertendo a ligeira quebra registada no período anterior.

Em declarações, o presidente do Conselho de Administração, Casimiro Ramos, não escondeu uma certa satisfação pelo trajeto, ainda que tenha feito questão de enquadrar o feito no contexto das dificuldades habituais do sector. “Este aumento evidencia a confiança das famílias na nossa maternidade e o empenho das equipas”, afirmou, acrescentando que “parte deste crescimento resulta também da afluência de grávidas provenientes de outras unidades, reforçando a nossa relevância regional”. A verdade é que os números dão corpo a essa perceção: cerca de 115 bebés, ou seja, perto de 14% do total, nasceram de mães residentes fora da área geográfica normalmente servida pela ULS, com origens que se estendem a concelhos de Santarém, Leiria e até Caldas da Rainha.

A distribuição territorial dos partos dentro da região do Médio Tejo mantém padrões conhecidos, com Torres Novas a liderar (40%), seguida de Abrantes (30,7%) e Tomar (14,7%). Do total de nascimentos, nasceram 423 meninos e 400 meninas. O ano ficou ainda marcado por 12 partos gemelares e uma taxa de partos pré-termo na ordem dos 7,29%, casos que receberam acompanhamento específico na neonatologia da maternidade.

Um retrato que não seria completo sem mencionar a diversidade cultural do fenómeno. Cerca de um terço dos partos envolveu mães de nacionalidade estrangeira, num leque que abrange 25 nacionalidades diferentes. As comunidades brasileira e angolana surgem como as mais representativas, constituindo em conjunto três quartos desses casos.

O desempenho da maternidade de Abrantes parece, de resto, alinhar-se com uma tendência nacional incipiente. Dados do Programa Nacional de Rastreio Neonatal apontam para 87.708 recém-nascidos em 2025 em Portugal, o valor mais elevado da última década. Para Casimiro Ramos, mais do que estatística, o que está em causa é a consolidação de um serviço. O investimento contínuo em equipamentos, disse, pretende “garantir que cada mãe e cada bebé recebem atenção digna e humanizada”. A ULS, que gere hospitais em Abrantes, Tomar e Torres Novas para uma população de referência de cerca de 170 mil utentes, vê neste fluxo crescente de partos – muitos deles de fora dos seus limites administrativos – um sinal claro da centralidade que a unidade foi conquistando no tecido mais alargado do Serviço Nacional de Saúde.

NR/HN/Lusa

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