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O município do Porto registou no ano transato um total de 443 ninhos de vespa velutina eliminados no concelho, um número que, ainda que elevado, reflete uma ligeira quebra relativamente ao exercício anterior. A informação, avançada esta sexta-feira pela autarquia, sublinha que a esmagadora maioria, 414, eram ninhos secundários, enquanto apenas 29 foram classificados como primários. A atividade desta espécie invasora, que teima em não dar tréguas, mantém-se assim como um desafio permanente para os serviços municipais.
Desde que iniciou o combate sistemático, em 2020, o Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC) já interveio em mais de dois mil destes ninhos. A estratégia, que parece ter vindo a estabilizar os números, assenta na inoculação com produto biocida, um método descrito como o mais eficaz para conter a progressão da praga. É uma luta de bastidores, pouco visível, mas que consome recursos e exige uma vigilância quase constante, sobretudo em certas zonas da cidade.
A freguesia de Campanhã destaca-se, e de que maneira, no mapa das ocorrências. Foram ali realizadas 115 ações de remoção, o que corresponde a um quarto de toda a atividade no Porto. A justificação aponta para a simples geografia: Campanhã é um território vasto, com uma mancha verde considerável e uma rede hidrográfica que acaba por criar condições propícias para a instalação da velutina. Logo atrás surge Paranhos, com 73 ninhos neutralizados, um padrão que se tem vindo a desenhar nos últimos tempos.
Os locais de nidificação variam conforme o tipo de ninho. Cerca de 75% dos ninhos primários, aqueles mais pequenos e fundados pela rainha na primavera, foram encontrados agarrados a estruturas construídas pelo homem, como beirais, telhados ou varandas, locais abrigados que oferecem proteção inicial. Já os ninhos secundários, as grandes estruturas esféricas ou ovóides que todos reconhecem, mostram uma clara preferência pelo mundo arbóreo. Dois terços deles foram detetados em árvores, muitas delas de porte avantajado.
O ritmo do trabalho não é uniforme ao longo do ano. Como seria de esperar, a verdadeira azáfama para as equipas da Proteção Civil concentrou-se no segundo semestre, mais precisamente nos meses de setembro a dezembro. É nessa fase que as colónias atingem o auge do seu desenvolvimento, tornando-se mais conspícuas, especialmente quando as árvores perdem a folha e os ninhos, por vezes do tamanho de um balão, ficam à vista de todos. A queda da folha descortina um panorama por vezes alarmante.
Face a esta realidade, a autarquia insiste num apelo que se repete todos os anos: é absolutamente desaconselhado que os cidadãos tentem destruir os ninhos por iniciativa própria. A vespa asiática é uma espécie extremamente defensiva e reagirá com ferocidade a qualquer tentativa de aproximação não profissional, o que pode originar situações de perigo grave. O procedimento correto é sempre contactar as autoridades competentes através dos canais adequados.
A vespa-velutina, originária do sudeste asiático, estabeleceu-se na Europa através do comércio internacional, provavelmente em mercadorias. Em solo português, a sua presença foi confirmada pela primeira vez em 2011, no Norte do país, através do alerta de especialistas e apicultores atentos. Desde então, a sua expansão tem sido objeto de monitorização e contenção, uma batalha que, como mostram os números do Porto, está longe de terminar.
NR/HN/Lusa



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