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A segunda volta do ato eleitoral presidencial, marcada para 8 de fevereiro, registou um aumento notório na procura pelo voto antecipado em mobilidade, com 308.501 inscrições validadas para o dia 1 de fevereiro. Na primeira volta, a 18 de janeiro, tinham sido apenas 218.481. Este salto, perto dos noventa mil eleitores, é um dado que perscruta o maior envolvimento no desfecho do pleito, ainda que as causas sejam múltiplas e não inteiramente discerníveis.
Os números provisórios, comunicados pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI) à agência Lusa, mostram uma distribuição geográfica previsível, mas com valores absolutos reforçados. Lisboa lidera, naturalmente, com 89.689 inscritos, seguida do Porto, com 50.518. Setúbal (26.580), Braga (17.601) e Aveiro (17.257) completam o top cinco de distritos com maior adesão. Nos territórios autónomos, a Madeira contabilizou 3.951 inscrições e os Açores 3.711.
O processo decorreu sem sobressaltos de maior, se excetuarmos as contingências meteorológicas. A depressão Kristin obrigou a uma reorganização de último minuto em seis municípios, por força maior, a pedido das respetivas autarquias. Em Vieira do Minho, o voto antecipado passa a realizar-se na antiga Casa do Povo. Já em Alvaiázere, foi deslocado para o quartel dos bombeiros voluntários. Na cidade de Leiria, os eleitores devem dirigir-se à Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo. Torres Vedras optou pelo Edifício da Câmara Municipal, Alcácer do Sal pela sede da junta de freguesia de Santiago, e Silves pelo complexo das piscinas municipais. São ajustes pontuais que, não raro, surgem em qualquer processo eleitoral de dimensão nacional.
Os eleitores que se inscreveram têm, assim, de se apresentar no domingo no concelho que escolheram, munidos do documento de identificação civil. Receberão depois um duplicado da vinheta de segurança, a funcionar como comprovativo. Caso algum inscrito não consiga votar a 1 de fevereiro, a lei permite que o faça no dia da segunda volta, 8 de fevereiro, na assembleia de voto onde se encontra recenseado.
Para além deste mecanismo geral, a votação antecipada abrange ainda outros dois grupos específicos. Doentes internados (1.118) e reclusos (3.777) inscreveram-se para exercer o seu direito. Nesses casos, o ato eleitoral será conduzido nos próprios estabelecimentos a 2 e 3 de fevereiro, com o presidente da câmara (ou seu delegado) a deslocar-se para recolher os votos.
O confronto final opõe António José Seguro e André Ventura, os dois mais votados na primeira volta. Este formato de votação antecipada em mobilidade, que abrange todos os concelhos, foi implementado pela primeira vez nas presidenciais de 2021, num contexto pandémico bem diferente do atual. Naquela altura, inscreveram-se 246.922 pessoas, um número agora claramente ultrapassado. O crescimento exponencial sugere uma normalização do método e uma certa acomodação dos cidadãos a esta faculdade, independentemente do desígnio que os leva a optar por ela. As inscrições terminaram às 23:59 de quinta-feira, 29 de janeiro, sem que se registassem incidentes reportados. Tudo está, pois, preparado para este prévio ato de democracia.
NR/HN/Lusa



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