![]()
O Ministério da Saúde moçambicano incorporou um lote de 16 mil pares de luvas cirúrgicas, uma doação de uma empresa privada, para fazer face às necessidades das equipas médicas que prestam socorro nas zonas afetadas pelas cheias no sul do país. A oferta surge num momento em que as províncias de Maputo e Gaza enfrentam uma das piores situações humanitárias dos últimos tempos, com centenas de milhares de pessoas a precisar de assistência.
Na cerimónia de receção, o diretor nacional de assistência médica, Nelson Mucopo, enfatizou a diferença prática que o material vai representar no terreno. “Estes 16 mil pares de luvas vão fazer muita diferença naquilo que é a assistência às nossas populações, em especial essas afetadas pelas cheias e inundações”, afirmou Mucopo. O responsável adiantou que o equipamento será usado estritamente no apoio às vítimas, sustentando as diversas equipas que operam nos centros de acomodação e em operações de resgate. “São populações que estão neste momento a precisar de algum apoio e as nossas equipas médicas estão no terreno a dar todo o apoio possível”, reiterou, sublinhando a dupla tarefa de resgate e tratamento médico contínuo.
Enquanto o socorro prossegue, os números oficiais pintam um quadro cada vez mais grave. De acordo com dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), atualizados até ao final da tarde de sexta-feira, o número total de afetados pelas chuvas de janeiro ascende agora a 723.289 pessoas, o equivalente a cerca de 170.223 famílias. A contabilidade regista 22 mortos, 45 feridos e nove pessoas ainda dadas como desaparecidas.
Os estragos materiais são avultados e falam de uma crise que se estende para lá do imediato. O INGD contabiliza 3.541 casas parcialmente destruídas, outras 794 totalmente arrasadas e um impressionante número de 165.946 habitações inundadas. O setor agrícola, vital para a subsistência da região, foi fortemente atingido: mais de 451 mil hectares de cultivos estão afetados, com cerca de 275 mil hectares dados como perdidos, uma situação que compromete a atividade de 332.863 agricultores. A isto junta-se a perda de 430.972 cabeças de gado.
A situação de emergência tem mobilizado a ajuda internacional. Para além desta doação privada, Moçambique tem recebido apoio humanitário de emergência de diversos países e blocos, incluindo a União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Noruega, Japão e nações vizinhas. O foco continua a ser o resgate e a assistência às famílias que permanecem isoladas ou desalojadas, um trabalho que agora conta com um recurso básico, mas crítico, para a segurança de profissionais e pacientes.
NR/HN/Lusa



0 Comments