Luvas cirúrgicas doadas reforçam resposta de saúde às cheias no sul de Moçambique

1 de Fevereiro 2026

O Ministério da Saúde de Moçambique recebeu esta quinta-feira 16 mil pares de luvas cirúrgicas, doados pelo setor privado. O material destina-se às brigadas médicas que assistem as vítimas das inundações nas províncias de Maputo e Gaza, onde o número de afetados continua a subir

O Ministério da Saúde moçambicano incorporou um lote de 16 mil pares de luvas cirúrgicas, uma doação de uma empresa privada, para fazer face às necessidades das equipas médicas que prestam socorro nas zonas afetadas pelas cheias no sul do país. A oferta surge num momento em que as províncias de Maputo e Gaza enfrentam uma das piores situações humanitárias dos últimos tempos, com centenas de milhares de pessoas a precisar de assistência.

Na cerimónia de receção, o diretor nacional de assistência médica, Nelson Mucopo, enfatizou a diferença prática que o material vai representar no terreno. “Estes 16 mil pares de luvas vão fazer muita diferença naquilo que é a assistência às nossas populações, em especial essas afetadas pelas cheias e inundações”, afirmou Mucopo. O responsável adiantou que o equipamento será usado estritamente no apoio às vítimas, sustentando as diversas equipas que operam nos centros de acomodação e em operações de resgate. “São populações que estão neste momento a precisar de algum apoio e as nossas equipas médicas estão no terreno a dar todo o apoio possível”, reiterou, sublinhando a dupla tarefa de resgate e tratamento médico contínuo.

Enquanto o socorro prossegue, os números oficiais pintam um quadro cada vez mais grave. De acordo com dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), atualizados até ao final da tarde de sexta-feira, o número total de afetados pelas chuvas de janeiro ascende agora a 723.289 pessoas, o equivalente a cerca de 170.223 famílias. A contabilidade regista 22 mortos, 45 feridos e nove pessoas ainda dadas como desaparecidas.

Os estragos materiais são avultados e falam de uma crise que se estende para lá do imediato. O INGD contabiliza 3.541 casas parcialmente destruídas, outras 794 totalmente arrasadas e um impressionante número de 165.946 habitações inundadas. O setor agrícola, vital para a subsistência da região, foi fortemente atingido: mais de 451 mil hectares de cultivos estão afetados, com cerca de 275 mil hectares dados como perdidos, uma situação que compromete a atividade de 332.863 agricultores. A isto junta-se a perda de 430.972 cabeças de gado.

A situação de emergência tem mobilizado a ajuda internacional. Para além desta doação privada, Moçambique tem recebido apoio humanitário de emergência de diversos países e blocos, incluindo a União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Noruega, Japão e nações vizinhas. O foco continua a ser o resgate e a assistência às famílias que permanecem isoladas ou desalojadas, um trabalho que agora conta com um recurso básico, mas crítico, para a segurança de profissionais e pacientes.

NR/HN/Lusa

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Centro de Saúde das Lajes do Pico com projeto entregue até junho

O projeto de construção do novo Centro de Saúde das Lajes do Pico deverá estar concluído até ao final do primeiro semestre deste ano, revelou hoje o deputado Carlos Freitas (PSD) na Assembleia Legislativa dos Açores, no arranque das jornadas parlamentares do partido na ilha do Pico

Alenquer declara guerra ao encerramento das urgências de obstetrícia

A Câmara Municipal de Alenquer aprovou hoje um voto de repúdio contra o encerramento da urgência obstétrica do Hospital de Vila Franca de Xira, marcado para a próxima segunda-feira, exigindo a reversão imediata da decisão que afeta uma população superior a 250 mil habitantes

Época das chuvas já matou 270 pessoas em Moçambique desde outubro

A época das chuvas em Moçambique já matou 270 pessoas desde outubro, com quase 870 mil afetadas. Os dados foram atualizados hoje pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), que regista ainda mais de 10 mil casas destruídas e perto de 400 mil hectares de culturas perdidos

Tabaco aquecido divide ciência enquanto Suécia adopta redução de riscos

A adopção de políticas de substituição do tabaco de combustão por alternativas como o tabaco aquecido ganha terreno na Europa, mas a evidência científica sobre os benefícios para a saúde pública está longe de ser consensual. Em Dezembro de 2024, o parlamento sueco formalizou uma estratégia de redução de danos, tornando-se o primeiro país a inscrever na lei o princípio de que os produtos sem combustão, incluindo o tabaco aquecido, representam um risco inferior ao dos cigarros convencionais. A decisão baseia-se em dados de saúde pública que apontam para uma incidência de cancro 41% inferior à média europeia e para uma mortalidade atribuível ao tabaco 44% mais baixa. Mas enquanto a Suécia, o Japão ou a Nova Zelândia avançam com modelos permissivos, organizações independentes de saúde questionam a solidez dos estudos que sustentam essas políticas .

A dignidade invisível de quem cuida

Abel García Abejas, Médico
MGF Cuidados Paliativos; Doutorando em Medicina, Docente de Bioética na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior

Cem anos de medicina no feminino celebrados em Coimbra

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos promove no dia 12 de março, pelas 18h30, uma tertúlia e inauguração de exposição que assinalam o centenário da presença feminina na medicina em Portugal, num evento híbrido com transmissão online a partir da Sala Miguel Torga, em Coimbra

“Epidemia silenciosa”: distúrbios do sono afetam 800 mil crianças em Portugal

No Dia Mundial do Sono, assinalado esta sexta-feira, dados revelam que cerca de 30% das crianças portuguesas enfrentam dificuldades para dormir, estimando-se que 40% apresentem distúrbios associados a hábitos precocemente consolidados. A coordenadora da Pós-graduação em Sono da Criança, Adolescente e Família, Joana Marques, classifica a situação como um problema de saúde pública negligenciado, com impacto direto na aprendizagem, memória e atenção dos mais novos. “O sono infantil não é um detalhe de rotina, é um pilar essencial para o desenvolvimento neurocognitivo e emocional”, sublinha, acrescentando que dormir mal pode potenciar obesidade, diabetes e alterações de comportamento. A privação de sono afeta também a saúde mental dos pais, limitando a capacidade de resposta ao stresse

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights