Raimundo censura “espetáculo” político na crise da depressão Kristin

1 de Fevereiro 2026

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou asqueroso o aproveitamento político por parte de alguns agentes face aos estragos da tempestade. Em Almada, exigiu ações concretas em vez de vídeos e encenações, apontando falhas na resposta do Estado

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) taxou de asqueroso o que descreveu como o aproveitamento político de alguns sobre o drama das populações afetadas pela depressão Kristin. Paulo Raimundo, falando num comício em Almada, sugeriu que certas figuras deixassem os vídeos, os ‘tik toks’ e as palhaçadas para se concentrarem em resolver os problemas reais das pessoas.

As declarações surgiram num ato de campanha intitulado “Outro Rumo para o País”, onde a situação criada pelo temporal ocupou parte substantiva da intervenção. Raimundo observou que se sucedem acontecimentos dramáticos e se repetem, sempre, as mesmas manobras e cenas tristes, marcadas por dificuldades e uma certa incapacidade. O que se apresentou como novo, na sua ótica, foi o grau mais elevado desse aproveitamento político asqueroso perante a desgraça do povo.

“Deixem os vídeos, deixem os tik toks, deixem as palhaçadas, resolvam os problemas das pessoas”, afirmou, com a voz a subir de tom. “Ponham geradores, resolvam a eletricidade, tratem da água, arranjem locais para as pessoas viverem e passarem a noite.” Acusou ainda que, enquanto muitos se põem em bicos de pés para aparecer na fotografia ou montam cenários para a imagem, e outros arregaçam as mangas apenas para fazer um belo filme, as populações continuam com os seus problemas por resolver.

Para o líder comunista, este foi mais um drama que ficou sem a resposta que devia ter sido dada. A situação, defendeu, escancara uma tese que tem vindo a propagar há muito: a de que um Estado, para intervir com rapidez e eficácia, tem de deter as alavancas fundamentais. “Um Estado para responder não pode ter a sua produção elétrica, a distribuição elétrica e a rede elétrica nas mãos de interesses que não os nacionais”, sustentou, num argumento que estendeu ao setor das telecomunicações. Sem esse controlo, concluiu, o Estado fica incapacitado, hesitante e sem instrumentos para agir.

A passagem da depressão Kristin na passada quarta-feira deixou um rasto de prejuízos materiais e humanos em Portugal continental. A Proteção Civil confirmou pelo menos cinco mortos, número a que a Câmara da Marinha Grande adiciona uma outra vítima no seu concelho. Este sábado, um homem de 73 anos perdeu a vida na Batalha, distrito de Leiria, ao cair de um telhado durante trabalhos de reparação dos estragos da tempestade.

O balanço material é extenso e ainda provisório: quedas de árvores e estruturas variadas, estradas cortadas ou condicionadas, serviços de transporte ferroviário suspensos, escolas encerradas. Os cortes generalizados de energia, água e comunicações agravaram o cenário de crise. Os distritos de Leiria, por onde o temporal entrou, Coimbra e Santarém concentram alguns dos estragos mais avultados.

Em resposta, o Governo decretou situação de calamidade para cerca de 60 municípios, com efeitos entre a meia-noite de quarta-feira e as 23h59 de domingo, dia 1 de fevereiro. Este número, avisam as autoridades, permanece suscetível de aumento à medida que as equipas de avaliação conseguem aceder a todas as zonas afetadas.

NR/HN/Lusa

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