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Segundo dados do Global Cancer Observatory (GLOBOCAN 2022), foram diagnosticados cerca de 5.400 novos casos em Portugal no último ano, abrangendo ambos os sexos e todas as idades, o que evidencia a dimensão deste problema de saúde pública no país.
A elevada mortalidade associada ao cancro do pulmão deve-se, em grande parte, à ausência de programas de rastreio populacional amplamente implementados em Portugal, o que resulta em diagnósticos tardios e reduz as possibilidades de tratamento curativo. Esta doença é frequentemente silenciosa nas fases iniciais, apresentando sintomas inespecíficos ou apenas manifestando sinais já indicativos de doença avançada, o que dificulta a deteção precoce. Adicionalmente, o cancro do pulmão tem um comportamento biológico agressivo e uma elevada capacidade de disseminação precoce, especialmente em doentes mais jovens..
Os sinais de alerta que devem ser valorizados incluem tosse persistente ou alteração do padrão habitual da tosse, tosse com expetoração sanguinolenta, falta de ar progressiva, dor torácica persistente, rouquidão, perda de peso inexplicada, cansaço extremo e infeções respiratórias recorrentes.
O tabagismo é o principal fator de risco para o desenvolvimento deste tipo de cancro, embora este possa surgir em pessoas sem historial tabágico. Outros fatores relevantes são a exposição ao fumo passivo, a poluição do ar, especialmente em zonas urbanas, a exposição ocupacional a substâncias como o amianto, sílica, radão e outros agentes químicos, bem como a história familiar e fatores genéticos.
Nos últimos anos, registaram-se avanços significativos no tratamento do cancro do pulmão, nomeadamente com a identificação de alterações moleculares específicas que permitiram o desenvolvimento de terapias alvo, altamente eficazes em subgrupos de doentes. A imunoterapia revolucionou o tratamento, possibilitando respostas duradouras e melhoria da sobrevivência. Também houve progressos nas técnicas cirúrgicas, na radioterapia e no diagnóstico molecular, tornando os tratamentos mais personalizados e eficazes. Contudo, o acesso equitativo a estes cuidados continua a ser um desafio.
A SPP destaca a importância de sensibilizar a população para os fatores de risco, promover comportamentos preventivos e reforçar a necessidade de políticas públicas eficazes, nomeadamente no controlo do tabagismo e da poluição ambiental. A implementação de programas de rastreio é igualmente fundamental para melhorar o diagnóstico precoce e, consequentemente, a sobrevivência dos doentes.
NR/PR/HN
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