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A iniciativa insere-se no projeto PRIMED, atualmente em desenvolvimento no Laboratório de Processamento de Imagem Médica, em funcionamento no Politécnico de Setúbal desde julho de 2025. A plataforma baseia-se na utilização de algoritmos de inteligência artificial e na análise de grandes volumes de dados clínicos e médicos, incluindo exames de imagem e informação proveniente de casos reais de pacientes, com o objetivo de apoiar os profissionais de saúde na tomada de decisões clínicas mais informadas, rápidas e seguras.
O projeto de investigação é financiado pelo Programa Lisboa 2030, no âmbito dos apoios à contratação de recursos humanos altamente qualificados nas áreas científica e tecnológica. Conta ainda com a colaboração das Unidade Local de Saúde da Arrábida e da Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal, onde se prevê a realização de testes em ambiente clínico real, permitindo avaliar o impacto efetivo da tecnologia na prática médica quotidiana.
O PRIMED parte da evidência científica de que a integração de dados clínicos, exames de imagem e informação biológica pode melhorar de forma significativa o diagnóstico e o prognóstico do cancro. No entanto, a conjugação deste tipo de informação enfrenta desafios relevantes, nomeadamente ao nível da proteção dos dados pessoais de saúde e do cumprimento das exigências legais e éticas associadas à sua utilização.
Para responder a estes desafios, o projeto adota uma abordagem inovadora assente na combinação de técnicas de visão por computador e inteligência artificial, permitindo assegurar a conformidade com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados e com os princípios éticos fundamentais aplicáveis à investigação e à prática clínica. Esta abordagem procura garantir que os dados dos pacientes são utilizados de forma segura, responsável e transparente, sem comprometer a privacidade ou os direitos individuais.
Segundo Miguel Angel Guevara López, coordenador do polo CCG-IPS, o projeto PRIMED “contribuirá para uma nova geração de diagnósticos mais rápidos e mais precisos, colocando a inovação ao serviço da saúde pública e da qualidade de vida das pessoas”. O responsável sublinha ainda que a tecnologia desenvolvida pretende reforçar a confiança dos profissionais de saúde na utilização de ferramentas digitais avançadas e, simultaneamente, a confiança dos cidadãos na proteção e no uso responsável dos seus dados de saúde.
Para além da melhoria na rapidez e na precisão dos diagnósticos, o projeto prevê também um impacto relevante na redução do sobrediagnóstico e de tratamentos desnecessários, ao permitir previsões mais rigorosas sobre a evolução da doença e sobre a resposta dos doentes aos diferentes tratamentos disponíveis. De acordo com Miguel Angel Guevara López, “um dos grandes objetivos do PRIMED é precisamente criar confiança: confiança dos profissionais de saúde nas ferramentas digitais e confiança dos cidadãos de que os seus dados estão protegidos e a ser usados para melhorar cuidados de saúde”.
O polo de inovação tecnológica do CCG/ZGDV no Politécnico de Setúbal, recentemente inaugurado, funciona como uma extensão desta unidade de investigação no campus do IPS e constitui o primeiro polo do género em território nacional. A sua criação visa impulsionar projetos nas áreas da visão por computador, inteligência artificial e ciência de dados, reforçando a ligação entre investigação científica, ensino superior e aplicação clínica, como exemplifica o desenvolvimento do projeto PRIMED.
NR/PR/HN



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