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A passagem da depressão Kristin, para além do rasto de destruição material e do balanço trágico de vidas humanas, deixou marcas menos visíveis. O Instituto de Apoio à Criança veio alertar precisamente para essas sequelas, sublinhando que situações desta magnitude costumam gerar nas camadas mais jovens sentimentos de tristeza, uma ansiedade difusa ou medos persistentes. São reações consideradas naturais perante a anormalidade de um temporal com esta força, mas que carecem de espaços seguros para serem verbalizadas e trabalhadas. Foi a pensar nisso que o IAC reforçou a disponibilidade da sua Linha SOS Criança e Jovem. Através do número europeu 116111, mas também do WhatsApp, do correio eletrónico e de um chat online, a instituição oferece escuta confidencial e gratuita durante a semana. A tempestade, que na quarta-feira já havia causado cinco mortos de acordo com a Proteção Civil, acabou por somar mais vítimas nos dias seguintes. Na Marinha Grande contabilizou-se outra morte, enquanto no sábado dois homens perderam a vida em quedas de telhado, nos concelhos da Batalha e de Alcobaça. Já no domingo, em Leiria, um homem morreu intoxicado por monóxido de carbono libertado por um gerador. Para trás ficou um panorama de condicionamentos severos: estradas cortadas, linhas ferroviárias interrompidas, escolas encerradas e cortes generalizados de energia, água e comunicações. Os distritos de Leiria, Coimbra e Santarém surgem como os mais fustigados. Perante a dimensão dos estragos, o Governo decretou situação de calamidade pública até ao próximo dia 8 de fevereiro. Neste contexto de reconstrução, o IAC enfatiza que cuidar da saúde emocional dos mais novos é um pilar fundamental para o futuro. O instituto não se dirige apenas às crianças, mas também às estruturas que com elas trabalham, salientando a importância da articulação entre famílias, escolas e serviços locais. “Encontramo-nos disponíveis para apoiar estas estruturas, sempre que necessário”, pode ler-se no comunicado divulgado esta segunda-feira. A ideia que passa é a de que a recuperação de uma comunidade não se faz apenas com a reposição de infraestruturas, mas também com o amparo psicológico dos seus membros, em especial dos mais vulneráveis.
NR/HN/Lusa



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