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Em plena situação de calamidade, com estradas cortadas e localidades isoladas, o país farmacêutico organizou-se para não falhar. A Associação Nacional das Farmácias (ANF) garantiu que o acesso a medicamentos está operacional em todo o território, mesmo nos concelhos mais castigados pela tempestade Kristin. São 217 as farmácias atualmente abertas nessas zonas, um número que representa um aumento significativo face aos dias imediatamente posteriores ao temporal.
O cenário no terreno, contudo, é de esforço notável. Ema Paulino, presidente da ANF, descreveu farmacêuticos a manterem portas abertas “em contextos de grande exigência”, alguns com as próprias instalações avariadas e sem linhas de comunicação. “Muitas farmácias encontram-se abertas a assegurar a dispensa de medicamentos urgentes, apesar de, em alguns casos, não ser possível proceder à respetiva faturação”, explicou. A prioridade, sublinhou, recaiu sobre a saúde pública, garantindo-se as condições de conservação dos medicamentos através do restabelecimento gradual da energia ou da utilização de geradores.
A associação identificou uma lista de mais de vinte concelhos, desde Leiria e Santarém até Castelo Branco e Tomar, onde a presença farmacêutica foi mantida, assegurando pelo menos um estabelecimento aberto em cada localidade crítica. A contabilização permanece incompleta para algumas unidades que, isoladas, ainda não restabeleceram contacto. A ANF relembra a população para usar a linha 14000 para localizar a farmácia operacional mais próxima.
Este esforço setorial surge no âmbito de um quadro de destruição mais vasto. A passagem da depressão Kristin resultou, até ao momento, em nove vítimas mortais. Para além dos cinco óbitos diretamente associados ao temporal, registaram-se ainda mortes em incidentes subsequentes, como quedas durante reparações ou intoxicações por monóxido de carbono. Os distritos de Leiria, Coimbra e Santarém concentram os danos materiais mais avultados, que vão desde habitações destruídas até ao corte persistente de serviços essenciais.
Em resposta, o Governo decretou situação de calamidade para 69 municípios até ao próximo domingo, tendo anunciado um pacote de apoio financeiro que poderá ascender a 2,5 mil milhões de euros. Enquanto as equipas de emergência e as autarquias avaliam os prejuízos, que somam já centenas de feridos e desalojados, o setor farmacêutico tenta assegurar uma normalidade mínima no fornecimento de um bem essencial.
NR/HN/Lusa



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