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Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas após um encontro com o Papa Leão XIV, no Vaticano. O chefe de Estado, que terminará o seu segundo mandato em breve, recordou que iniciou o primeiro com uma cerimónia ecuménica e que promoverá outra, já no próximo mês de março, com a participação de 32 igrejas e confissões. Sobre potenciais arrependimentos, limitou-se a afirmar que “são imensas as coisas” que não pôde concretizar, seja por falta de tempo, de ocasião ou devido ao surgimento de outras prioridades, declinando dar exemplos concretos. Refletindo sobre o seu percurso, considerou que o fim do primeiro mandato “teria sido diferente” sem a pandemia de covid-19 e reiterou que não se teria candidatado a um segundo mandato na ausência da crise sanitária. “Era logo a diferença absoluta”, comentou. Questionado especificamente sobre os desafios enfrentados na interseção entre a sua fé e a função presidencial, enumerou uma série de matérias sensíveis que marcaram o debate público na última década. “Os temas que foram grandes desafios foram temas culturais, clivagens culturais na sociedade portuguesa, sobre a eutanásia, a maternidade de substituição, o alargamento ou não da interrupção voluntária da gravidez, novas conceções de família”, afirmou. Acrescentou depois outros vetores, como as profundas crises sociais e económicas – herança do período da ‘troika’, agravadas pela pandemia e pela guerra –, que tocam a mensagem social cristã, e a reestruturação orgânica do próprio panorama religioso português, hoje distinto do que era há dez anos. O Presidente recusou, contudo, que lhe tivesse sido difícil separar a condição de católico do exercício do cargo nas altas decisões que tomou. “Eu sou católico, afirmo-me católico, fui aos atos de culto, tomei as posições próprias de um católico, mas nas decisões eu decidi sempre pondo-me na posição daquilo que pensava que era o sentir coletivo, o sentir comunitário dominante”, sustentou. A visita a Roma insere-se na última deslocação internacional do seu mandato.
NR/HN/Lusa



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