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A Unidade Local de Saúde do Médio Ave (ULSMA) instalou um novo ponto de atendimento de podologia no Centro de Saúde de Santo Tirso, anunciou esta segunda-feira. A decisão, confirmada à agência Lusa, nasce de uma procura que a administração considera desproporcional à oferta pública e que tem forçado os utentes, muitos deles diabéticos, a percorrer quilómetros ou a faltar a consultas. Vera Couto, podologista responsável, lembra que a especialidade continua a ser “maioritariamente assegurada pelo setor privado”, o que deixa fora do sistema inúmeros doentes. O serviço, que iniciou atividade há dois anos na Trofa e em Vila Nova de Famalicão, registou 2.309 atendimentos no ano passado. Desses, 725 envolveram residentes em Santo Tirso, cuja deslocação se transformou num obstáculo palpável, tantas eram as dificuldades logísticas e os custos acrescidos. Por vezes, essas barreiras materializavam-se em faltas ou até na recusa pura e simples de seguir a referenciação do médico de família. A nova vaga, que funcionará às terças e quintas-feiras, pretende assim mitigar um problema de acessibilidade que se arrasta. “Constitui um investimento estratégico na proximidade dos cuidados”, sublinha a ULSMA num comunicado. A podologia, defende Vera Couto, tem um papel que vai além do tratamento, tocando a prevenção da incapacidade e a promoção de um envelhecimento menos passivo. A intervenção, hoje focada em diabéticos — “um grupo particularmente vulnerável” —, deverá alargar-se a outros utentes com patologias podológicas de risco. A administração espera que, a prazo, esta descentralização reduza internamentos por pé diabético e a referenciação para hospitais. É uma aposta na contenção de males maiores, dizem, através de um gesto simples: encurtar distâncias.
NR/HN/Lusa



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