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Paulo Raimundo não poupou nas críticas ao sair do encontro com trabalhadores dos Hospitais da Universidade de Coimbra. A sua voz, por vezes, ganhava um tom mais áspero ao descrever a situação. Defendeu que só com mais gente no sistema se consegue salvá-lo. “Temos capacidade instalada, conhecimento, gente que veste a camisola do Serviço Nacional de Saúde, mas é preciso mais gente: mais médicos, mais enfermeiros, mais técnicos”, enumerou, frisando que apenas o SNS pode responder cabalmente às necessidades das populações. O caminho que, no seu entender, tem sido seguido é outro, e leva ao “desmontamento” do serviço público para “abrir caminho ao negócio da doença”. A digressão pelos princípios fundadores do sistema foi inevitável. Raimundo lembrou os tempos em que o país, disse, alcançou níveis mundiais em cuidados primários e prevenção. A sua agenda prosseguiu depois para as zonas afetadas pelo mau tempo no concelho de Montemor-o-Velho, mas a mensagem principal ficou gravada nos corredores do hospital: sem uma política diferente de recursos humanos, o SNS definha. A solução, insiste, passa por travar a hemorragia de profissionais e contrariar lógicas de mercado na saúde.
NR/HN/Lusa



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