![]()
Perante a procura crescente de geradores devido aos cortes de energia provocados pela tempestade Kristin, a Direção-Geral da Saúde e a Proteção Civil divulgaram três regras de ouro para evitar mais intoxicações por monóxido de carbono, um gás impercetível mas mortal. O alerta surge depois de se contabilizarem nove mortes associadas ao mau tempo, incluindo vítimas fatais relacionadas com a utilização destes equipamentos.
Num apelo urgente partilhado nas redes sociais, as autoridades sublinham que a primeira e mais crucial norma é nunca operar o gerador dentro de habitações, garagens ou quaisquer espaços fechados, mesmo que as janelas estejam escancaradas. O aparelho deve ser colocado ao ar livre, a uma distância mínima de seis metros da casa, com os gases de escape dirigidos para longe de portas, ventanas ou sistemas de ventilação. O monóxido de carbono, afirmam, “mata em silêncio”, sendo particularmente traiçoeiro durante o sono. Um modelo de pequena dimensão pode produzir uma concentração letal num quarto ou numa varanda envidraçada em apenas quinze minutos.
Os sintomas de intoxicação, que por vezes se confundem com uma virose, incluem uma dor de cabeça teimosa, tonturas, náuseas, um cansaço incomum e confusão mental. Perante a mais ligeira suspeita, a indicação é abandonar o local de imediato e contactar o 112, aguardando lá fora pela chegada dos bombeiros. O aviso das entidades ganha uma premência sombria à luz do balanço de vítimas. Para além dos cinco óbitos diretamente imputados à depressão Kristin, registaram-se mortes por quedas durante reparações de telhados e, confirmadamente, por envenenamento com monóxido de carbono proveniente de geradores.
Os distritos de Leiria, Coimbra e Santarém figuram entre os mais fustigados por uma tempestade que deixou um rasto de habitações destruídas, infraestruturas danificadas e comunidades isoladas. O Governo respondeu à escala dos estragos, classificando a situação como calamidade em sessenta e nove municípios e desbloqueando um fundo de apoio que ronda os 2,5 mil milhões de euros. Enquanto as equipas de emergência trabalham no restabelecimento dos serviços essenciais, a mensagem das autoridades de saúde insiste na prevenção de acidentes secundários, numa altura em que muitas famílias, na ânsia de recuperar algum conforto, podem inadvertidamente expor-se a um perigo doméstico e invisível.
NR/HN/Lusa



0 Comments