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A passagem da depressão Kristin deixou um rasto visível no principal hospital da região de Leiria. Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos, confirmou esta segunda-feira que, num espaço de sete dias, o Hospital de Santo André recebeu precisamente 756 pessoas com ferimentos traumáticos. Destas, cerca de 78% foram classificadas como urgências altas, nas cores amarela e laranja do triagem. Os números surgiram após uma reunião de Cortes com a administração do centro hospitalar e, mais tarde, com o autarca de Leiria.
O pico inicial deveu-se ao impacto direto do temporal na madrugada de quarta-feira. Contudo, já durante a tarde desse mesmo dia, começaram a chegar ao serviço de urgências as vítimas dos trabalhos de limpeza e reparação que se seguiram. A pressão sobre a traumatologia foi particularmente intensa, um dado que o bastonário não deixou de sublinhar. Apesar do volume, a unidade conseguiu resolver a esmagadora maioria dos casos internamente. Apenas 22 doentes precisaram de ser transferidos para unidades do Oeste, Coimbra ou Figueira da Foz, num esforço de descentralização que parece ter funcionado.
Carlos Cortes teceu elogios à resposta organizativa, citando a mobilização do conselho de administração para resolver problemas dentro e fora das paredes do hospital. Apoio a doentes frágeis, questões de epidemiologia ou a logística da hemodiálise foram algumas das frentes mencionadas. “Houve uma entrega muito importante e isso é algo notável”, afirmou, referindo-se ao conjunto de profissionais, desde médicos e enfermeiros a psicólogos e assistentes operacionais. A exaustão das equipas, contudo, permanece uma preocupação latente. O bastonário admitiu que, nestas situações, há um primeiro embate e depois um segundo, quando o cansaço se acumula. Por isso, a Ordem dos Médicos deixou disponível a sua rede para comunicar com médicos, caso seja necessário reforçar efectivos, uma colaboração que também foi proposta ao Ministério da Saúde.
Questionado sobre a existência de voluntários médicos, Cortes disse não ter conhecimento concreto. A administração hospitalar assegurou-lhe que os recursos humanos foram suficientes para fazer face à crise, ainda que com alterações significativas na atividade assistencial de rotina.
O temporal Kristin provocou, até ao momento, dez vítimas mortais na região. Cinco mortes foram directamente associadas à depressão, uma foi anunciada pela Câmara da Marinha Grande e outras quatro ocorreram durante trabalhos de reparação ou por intoxicação com geradores. Para além do custo humano, a tempestade causou destruição parcial ou total em habitações e empresas, derrubou árvores e estruturas, interrompeu estradas e linhas férreas, e deixou milhares sem eletricidade, água ou comunicações. Os distritos de Leiria, Coimbra e Santarém foram os mais fustigados.
Em resposta, o Governo decretou situação de calamidade até domingo para 69 concelhos e aprovou um pacote de apoios que ronda os 2,5 mil milhões de euros. A área de influência da Unidade Local de Saúde de Leiria abrange os concelhos de Alcobaça, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Ourém, Pombal e Porto de Mós, integrando três hospitais e dez centros de saúde.
NR/HN/Lusa



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