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No dia em que se assinala o Dia Mundial do Cancro, a Organização Mundial da Saúde apresentou dados que sugerem um peso esmagador de causas evitáveis na incidência global da doença. Um estudo abrangente apurou que, em 2022, perto de 40% dos novos diagnósticos em adultos estiveram ligados a fatores de risco conhecidos e modificáveis.
A Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC), órgão da OMS, detalhou que 7,1 milhões dos 18,7 milhões de casos registados nesse ano foram atribuíveis a uma trintena de exposições preveníveis. “É uma proporção muito substancial a nível mundial, e os esforços de prevenção podem ter um grande impacto”, afirmou Isabelle Soerjomataram, cientista da IARC e coautora da análise, durante uma conferência de imprensa. O trabalho, que pela primeira vez integrou de forma abrangente nove agentes infeciosos cancerígenos, aponta para o tabagismo, certas infeções e o consumo de álcool como os três principais vetores.
Soerjomataram especificou que, dos casos evitáveis, o tabaco respondeu por 3,3 milhões, várias infeções por 2,2 milhões e o álcool por 700 mil. Sozinhos, estes três fatores configuram a grande maioria desse contingente. A carga, contudo, não se distribui de forma uniforme. Os homens foram mais afetados, com o fumo a ser responsável por cerca de 23% de todos os seus novos cancros. Nas mulheres, as infeções lideraram as causas evitáveis, com 11%.
Ao desagregar os números, a investigação, que cobriu 36 tipos de tumor, concluiu que cancros do pulmão, do estômago e do colo do útero concentram quase metade dos casos passíveis de prevenção. Cada um com uma etiologia predominante: a poluição do ar e, sobretudo, o tabaco para o pulmão; a bactéria Helicobacter pylori para o estômago; e o papilomavírus humano (HPV) para o colo do útero.
As conclusões, segundo a agência, clamam por estratégias de prevenção específicas e robustas. A receita, já conhecida mas agora reforçada com dados concretos, inclui controlo rigoroso do tabaco, regulamentação efetiva do álcool, promoção de vacinação contra o HPV e hepatite B, e políticas públicas que garantam ar mais limpo e ambientes que favoreçam a alimentação saudável e a atividade física. Andre Ilbawi, responsável pelo controlo do cancro na OMS, viu no estudo motivo para otimismo cauteloso. “Estamos aqui para celebrar boas notícias assentes na ciência. Muitos cancros são preveníveis. Estes números podem ser alterados”, disse, defendendo uma ação coordenada que atravesse setores como saúde, educação, energia e transportes para poupar milhões de famílias.
NR/HN/Lusa



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