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Durante uma audição na comissão parlamentar de Saúde, solicitada pelo PS para discutir as vagas por preencher no internato médico, Almeida destacou que o esforço e as condições de trabalho variam significativamente entre especialidades, nomeadamente entre Medicina Interna e outras áreas com horários menos exigentes.
O responsável explicou que a uniformidade da carreira médica, independentemente da especialidade, contribui para que especialidades deficitárias, como a Medicina Interna, sejam menos procuradas. Acrescentou que, neste caso, não existe capacidade para produção adicional, o que impede a resolução do problema enquanto se mantiver o princípio de remuneração igual para todos os médicos, independentemente da localização, seja no Amadora-Sintra ou no Santo António, no Porto. Almeida apelou a uma reflexão por parte dos deputados sobre a necessidade de criar “diferenciações pela positiva” para especialidades e regiões mais carenciadas, onde as condições de trabalho são mais penosas e a perspetiva de carreira menos atrativa.
Relativamente à estratégia de abertura de vagas para o internato médico, o diretor executivo explicou que a opção foi aumentar o número de vagas para alargar o leque de escolha dos candidatos, o que justifica o aumento do número de vagas por preencher. Apesar disso, o número de médicos que escolhem a especialidade tem vindo a crescer anualmente. O último concurso para o internato médico, em 2025, foi o melhor dos últimos anos, com um aumento no número de médicos colocados face a 2024 e 2023. Almeida defendeu que a estratégia adotada está a funcionar e alertou que analisar o internato apenas pelo número de vagas por preencher é uma visão errada.
No que diz respeito a outras especialidades, o número de vagas em Medicina Geral e Familiar (MGF) também aumentou, com um crescimento nas vagas ocupadas de 453 em 2023 para 461 em 2025. No total das especialidades, foram abertas mais 173 vagas em 2024 do que no ano anterior, tendo ficado por preencher cerca de 20%. Além da Medicina Interna, outras especialidades deficitárias no SNS incluem Pediatria, Anestesiologia e Ginecologia/Obstetrícia. Almeida salientou que o aumento das vagas por preencher resulta do aumento da capacidade formativa das instituições de saúde, mas que o número limitado de candidatos implica que essas vagas não sejam totalmente ocupadas.
O diretor executivo do SNS referiu ainda que Portugal tem mais médicos por habitante do que a média da União Europeia, mesmo após as devidas correções, mas frisou que essa média europeia é insuficiente para as necessidades do país. Destacou o défice profundo em especialidades como Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Pediatria, Anestesiologia e Ginecologia/Obstetrícia.
Sobre o mapa de necessidades do SNS, que não é público segundo o presidente do Conselho Nacional do Internato Médico, Álvaro Almeida afirmou que a Direção Executiva do SNS tem conhecimento das necessidades, das especialidades mais deficitárias e das regiões mais carenciadas. Quanto à divulgação pública dessa informação, remeteu para a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), que determina o número e a distribuição das vagas a abrir, após a atribuição das idoneidades formativas pela Ordem dos Médicos.
lusa/HN



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