Doença oncológica exige proteção social integral, defende Liga Portuguesa Contra o Cancro

4 de Fevereiro 2026

No Dia Mundial do Cancro, a Liga Portuguesa Contra o Cancro associa-se à campanha global "Unidos Por Cada Um" e coloca na agenda pública a urgência de uma mudança na proteção social dos doentes. A instituição exige que a baixa médica por doença oncológica passe a ser remunerada a 100%, alertando para o profundo desgaste económico que um diagnóstico de cancro ainda representa para as famílias portuguesas

A realidade, sabe-se, é muitas vezes mais dura do que os números. Todos os anos, a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) aplica cerca de dois milhões de euros em apoios sociais diretos, uma verba substantiva que tenta atenuar a vulnerabilidade económica em que muitas famílias mergulham após o diagnóstico. Este esforço, contudo, é encarado como um sinal claro de que as redes de segurança existentes estão longe de ser suficientes. “As pessoas com cancro não podem continuar a ser penalizadas financeiramente por estarem doentes”, afirmou o presidente da LPCC, Vítor Veloso. “A doença não reduz apenas a capacidade de trabalho, afeta profundamente a vida económica, social e familiar. A baixa médica a 100% não é um privilégio, é uma medida de justiça social e de proteção da dignidade humana.”

A recente majoração para 100% do subsídio por assistência a filho com doença oncológica foi recebida como um passo positivo, mas a Liga sublinha que se trata apenas de um primeiro movimento num caminho mais longo. O mesmo princípio de proteção plena, defendem, deve ser estendido às próprias pessoas com a doença. É uma questão de coerência. A pressão financeira é um peso constante, um ruído de fundo que interfere com a recuperação e corrói a estabilidade necessária para enfrentar tratamentos prolongados e por vezes muito agressivos.

Integrada na campanha “Unidos Por Cada Um” da União Internacional de Controlo do Cancro (UICC), a LPCC pretende ir além da sensibilização, promovendo uma reflexão concreta sobre o que significam, na prática, cuidados de saúde centrados nas pessoas. A resposta, dizem, tem de ser tecida à medida de cada realidade individual, considerando necessidades emocionais, sociais e económicas que vão muito para além da pura terapêutica médica. Pelos vários núcleos regionais da Liga, multiplicam-se histórias que ilustram esta abordagem. No Centro, assegurou-se apoio alimentar a uma mulher de 60 anos em quimioterapia paliativa, que vivia sozinha e sem recursos, mitigando assim o isolamento. Na Madeira, garantiu-se a continuidade do acompanhamento psicológico ao domicílio a uma doente de 76 anos que mudou de residência. No Norte, um centro de dia provou ser, nas palavras de um médico, mais impactante do que qualquer medicamento para um homem de 75 anos, ao combater o isolamento social.

O envolvimento de pessoas com experiência de cancro é outro pilar. Nos Açores, o apoio da LPCC foi descrito como essencial para uma mulher emigrante com dois filhos menores manter o equilíbrio emocional e a dignidade. Já no Porto Santo, uma iniciativa no âmbito do Outubro Rosa criou um espaço seguro de escuta para mulheres, com efeitos duradouros na autoestima. A campanha nacional da LPCC conta ainda com o rosto de figuras públicas como a atriz Sofia Ribeiro, a chef Tia Cátia ou o ator Gonçalo Diniz, que se associam à causa.

Num gesto que pretende traduzir esta união, a LPCC relançou o desafio “De Pernas para o Ar – Ninguém enfrenta o cancro sozinho”, agora transformado num movimento coletivo que convida a partilhar testemunhos em vídeo. A mobilização estende-se a escolas, empresas e autarquias, desafiadas a criar murais colaborativos ou promover concursos, numa tentativa de fazer da luta contra o cancro uma responsabilidade partilhada por toda a sociedade. Mais informação sobre a campanha e os testemunhos pode ser encontrada no site da LPCC (https://www.ligacontracancro.pt/).

PR/HN/MM

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