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A realidade da investigação oncológica em Portugal conhece, esta terça-feira, um fôlego renovado. Por ocasião das XI Jornadas de Investigação em Oncologia, que decorrem em Lisboa a 4 de fevereiro, o Núcleo Regional do Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) fez o anúncio que muitos na comunidade científica aguardavam: a atribuição de oito novas bolsas de investigação, um número inédito para uma única edição. O montante global envolvido ronda os 110 mil euros, um sinal claro de um esforço de alavancagem que tem vindo a ganhar forma.
O detalhe do financiamento revela uma conjugação de vontades. Sete bolsas, no valor individual de 15 mil euros, foram possíveis graças ao contributo de entidades como a Fundação Calouste Gulbenkian, a Jerónimo Martins, a Fundação Benfica e o Município de Cascais, para além do trabalho contínuo de angariação das delegações locais da LPCC. A estas junta-se uma oitava bolsa, algo que nunca antes tinha acontecido, fruto de uma parceria com a Fundação do Desporto no valor de 5 mil euros. Esta última tem uma particularidade: destina-se especificamente a um projeto que explore a interseção entre a atividade física e a oncologia, um campo de estudo que tem despertado interesse crescente.
Não foi apenas o número de bolsas que quebrou moldes. O processo de candidatura sofreu, este ano, uma reconfiguração, adotando um formato em duas fases. A alteração parece ter surtido efeito, se atendermos à enxurrada de 60 candidaturas recebidas. Um número que, segundo fontes próximas do processo, espelha uma necessidade premente de apoio e a vitalidade de uma comunidade que produz ideias, mas por vezes esbarra na escassez de meios para as concretizar.
O evento em si, que tem lugar no Auditório António de Magalhães Cardoso, servirá como palco para muito mais do que anúncios. É um momento de balanço. Lá serão apresentados e discutidos os avanços científicos alcançados por projetos que receberam financiamento em ciclos anteriores, em 2024 e 2025. Esta é uma das funções nucleares das Jornadas: permitir que o trabalho, por vezes desenvolvido entre as quatro paredes de um laboratório, ganhe visibilidade e seja submetido ao escrutínio e à partilha entre pares. É onde a ciência, na sua essência, se faz.
Para compreender a dimensão deste passo, convém olhar para trás. Desde 1998, a LPCC já atribuiu 87 bolsas de investigação, o que se traduz num investimento acumulado superior a um milhão de euros. São números que, por si só, contam uma história de persistência. Uma história feita de 78 investigadores de 14 centros diferentes, que se debruçaram sobre áreas tão diversas como a imunologia, a genómica ou os mecanismos de resistência às terapias. Os frutos desse investimento são tangíveis: o trabalho desenvolvido sob o chapéu destas bolsas focou-se em pelo menos 13 tipos de cancro distintos e resultou na publicação de mais de uma centena de artigos, 70 dos quais em revistas científicas internacionais com revisão por pares.
Há, naturalmente, um caminho longo a percorrer. Os desafios na luta contra o cancro mantêm-se complexos e multifacetados. Mas o anúncio feito hoje em Lisboa parece querer sublinhar uma ideia: que esse caminho se faz também com a aposta contínua no conhecimento que nasce em Portugal. A cerimónia de entrega das novas bolsas está marcada para as 14h30, um momento que simboliza não só o reconhecimento do mérito dos projetos selecionados, mas também o reinício de um ciclo. Mais informação sobre o evento e o trabalho da LPCC pode ser consultada em https://www.ligacontracancro.pt/.



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