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O presidente do INEM afirmou no Parlamento que a diferenciação de prioridades no socorro, operacional desde janeiro, permitiu uma gestão mais eficaz dos picos de atividade e preveniu fatalidades. A audição decorreu após um óbito no Seixal com três horas de espera por ambulância.
Lisboa, 03 fev 2026 (Lusa) – O modelo de triagem telefónica revisto pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) no início deste ano terá impedido a ocorrência de “mais situações de morte”, declarou esta segunda-feira o presidente da instituição, Luís Mendes Cabral, numa audição parlamentar requerida pelo PS e pelo Chega. A convocatória surgiu na sequência da morte de um homem de 78 anos no Seixal, que aguardou socorro durante cerca de três horas.
Perante os deputados da Comissão de Saúde, Mendes Cabral defendeu que o novo sistema, que segmenta as ocorrências em cinco níveis de prioridade distintos, “ter-nos-á salvaguardado naqueles períodos de maior pico”. A alteração, que não mexeu nos fluxogramas ou nos técnicos dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), mas sim na interpretação clínica dos sintomas reportados, veio substituir um anterior paradigma que, na sua descrição, amontoava “mais de 80% das ocorrências” numa única categoria genérica, a P3. “Tratávamos um enfarte agudo do miocárdio da mesma forma que tratávamos um entorse”, exemplificou, sublinhando que tal falta de critério comprometia a alocação racional dos meios disponíveis.
Agora, as chamadas são catalogadas como emergentes, muito urgentes, urgentes, pouco urgentes ou não urgentes, cada qual com um tempo de resposta preconizado. Para as situações de risco de vida (P1 e P2), a atuação deve ocorrer entre 8 e 18 minutos. Já as classificadas como P3 e P4, de menor urgência, têm prazo de resposta até 60 e 120 minutos, respetivamente, sendo as não urgentes direcionadas para o SNS 24. “Se tivéssemos respondido à situação do Seixal dentro dos 60 minutos, provavelmente o desfecho não teria sido o mesmo”, admitiu o responsável, num momento de candura durante a sessão.
A plateia parlamentar ouviu ainda um diagnóstico sobre assimetrias regionais persistentes. Mendes Cabral não escondeu que o sistema, apesar de funcionar bem na “maior parte do país”, enfrenta limitações estruturais críticas na Península de Setúbal e no Algarve, sobretudo quando a procura dispara. Um obstáculo concreto foi exposto: a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) comunicou não dispor de mais ambulâncias para contratualizar na margem sul do Tejo. Mesmo assim, a convicção mantém-se. “Muito provavelmente, se não tivéssemos feito esta diferenciação, estaríamos hoje a falar de mais situações de morte”, concluiu, fechando a sua intervenção com uma nota de cauteloso otimismo. Os utentes passam a ser informados da prioridade atribuída e do tempo estimado para a chegada da ajuda.
NR/HN/Lusa



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