Kristin deixa 864 feridos por trauma no hospital de Leiria

5 de Fevereiro 2026

O número de pessoas feridas com traumas no Hospital de Santo André, em Leiria, subiu para 864 desde 28 de janeiro. Os dados foram avançados na reunião diária da Proteção Civil municipal, que contou com a presença do presidente da administração da ULS da Região de Leiria

O balanço, que reflete o período entre a madrugada do dia 28 e esta quarta-feira, foi divulgado durante a reunião diária da Comissão Municipal de Proteção Civil de Leiria. O encontro realizou-se, como tem sido habitual, no quartel dos Bombeiros Sapadores, onde está instalado o centro de operações do município. Manuel Carvalho, presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, marcou presença na sessão onde se analisou a ainda complicada situação.

De acordo com duas fontes que estiveram na reunião e contactadas pela Lusa, apenas entre a passada quarta-feira e hoje deram entrada naquela unidade hospitalar 87 novos feridos. A meio da tarde do dia 28, após o impacto direto da depressão, começaram a chegar as primeiras vítimas associadas já aos trabalhos de limpeza e reconstrução que se seguiram ao temporal.

Já na terça-feira, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, tinha tornado público que o hospital recebera, até então, 756 feridos com trauma. Na ocasião, Cortes explicou que a unidade tinha resolvido praticamente todas as situações, tendo apenas sido necessárias 22 transferências para outros hospitais – nomeadamente para o Oeste, Coimbra e Figueira da Foz. O maior impacto, disse então, foi sentido na zona da traumatologia.

O bastonário não poupou elogios à resposta dada, salientando uma mobilização que resolveu um conjunto de problemas dentro e fora do hospital. Referiu-se, a título de exemplo, ao apoio prestado a doentes mais fragilizados, como os de pneumologia ou hemodiálise, que ficaram isolados sem comunicações.

A área de influência desta ULS é extensa, abrangendo os concelhos de Alcobaça, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Ourém, Pombal e Porto de Mós. Uma estrutura que compreende três hospitais e dez centros de saúde, e que teve o seu epicentro no Santo André.

Obter números nacionais continua a ser uma tarefa difícil. As autoridades de saúde não indicam o número total de feridos resultantes das sucessivas depressões, com o ministério a remeter para a Direção Executiva do SNS, que não disponibiliza os dados. A Lusa tem tentado, desde sexta-feira, obter essa contabilidade global junto de várias entidades oficiais, sem sucesso.

O que se sabe é que o saldo humano é pesado: onze mortes no país desde a semana passada, na sequência das depressões Kristin e Leonardo, para além das muitas centenas de feridos e desalojados que se somam agora. O rasto material é de uma destruição avassaladora, com casas e empresas parcial ou totalmente destruídas, árvores e estruturas caídas, estradas cortadas e serviços essenciais interrompidos. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais fustigadas.

Perante a dimensão dos estragos, o Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 municípios. Foi ainda anunciado um pacote de medidas de apoio que poderá chegar aos 2,5 mil milhões de euros, uma verba que pretende ser um bálsamo para a reconstrução. Enquanto isso, nos corredores do hospital de Leiria, a contagem não para.

NR/HN/Lusa

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