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Paulo Raimundo não poupou nas críticas. O secretário-geral do Partido Comunista Português deixou claro, numa visita hoje a uma das zonas mais castigadas pelo mau tempo, que a resposta do Governo ao temporal falhou em tempo e em modo. “Chegou tarde, chegou hesitante”, atirou, numa condenação sem ambiguidades da atuação do executivo liderado por Luís Montenegro.
Na Marinha Grande, concelho do distrito de Leiria profundamente marcado pela fúria das águas e dos ventos, Raimundo encontrou uma “imagem desoladora”. E, perante esse cenário, a sua avaliação não teve meias medidas: o Governo menosprezou os efeitos da catástrofe e revelou uma “capacidade de descoordenação” que, nas suas palavras, não se compadece com a escala dos estragos. O dirigente comunista recusou-se, contudo, a apontar o dedo a ministros específicos, preferindo alargar a responsabilidade a todo o elenco governativo. “O primeiro-ministro, desse ponto de vista, tem de se lhe tirar o chapéu, ele assume, dá a cara”, ironizou, para em seguida rematar: “a responsabilidade é de todo o Governo”.
Sobre o pacote de apoio já anunciado, que ascende aos 2,5 mil milhões de euros e abrange 68 concelhos em situação de calamidade, o líder do PCP foi perentório. Os montantes, disse, “são insuficientes, são tardios”. A questão que verdadeiramente importa, sustentou, é saber como é que esse dinheiro chega de facto às mãos das pessoas, das empresas e das instituições que estão no terreno a tentar refazer-se. “Achamos que estamos muito longe dessa vontade política para que isso se concretize”, lamentou, contrastando a lentidão oficial com a vontade de reconstrução que testemunhou na população.
O tom da conversa com os jornalistas foi-se avivando, e a linguagem tornou-se mais bélica. Raimundo comparou a situação atual do país a um cenário de guerra, com questões de segurança nacional em jogo. Perante isso, defendeu, é preciso investir “de forma musculada, não é pontual, nem aos bochechos”. A referência à depressão Kristin e às cheias serviu de base para uma crítica mais ampla às opções políticas. “Se queremos travar com meios, com opções e com políticas o drama que estamos a viver… ou [se] queremos desviar os nossos meios que não temos para aquilo que não nos faz falta”, questionou, deixando no ar uma denúncia sobre prioridades.
O balanço humano e material do mau tempo que tem assolado Portugal desde a semana passada é pesado. Onze vítimas mortais, centenas de feridos e desalojados, casas e empresas destruídas, infraestruturas cortadas. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais fustigadas. No meio da desgraça, Paulo Raimundo fez questão de sublinhar a capacidade de resiliência dos cidadãos e a sua “vontade de reconstruir”. Uma nota positiva que, no seu entender, não encontra paralelo na esfera da ação governativa. O Governo, na sua análise, procurou recuperar o terreno perdido, mas a impressão que ficou foi a de uma resposta que falhou quando mais era necessária.
NR/HN/Lusa



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