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O mau tempo continua a ditar a agenda de emergência no país. Num apelo conjunto divulgado através das redes sociais, o Instituto Nacional de Emergência Médica e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil voltaram a chamar a atenção para um perigo menos visível, mas igualmente grave, decorrente dos cortes de energia que afetam sobretudo as regiões de Leiria, Santarém, Castelo Branco e Coimbra. A questão é clara: medicamentos que dependem de frio constante, armazenados normalmente entre 2 e 8 graus Celsius, podem ver a sua eficácia degradar-se rapidamente em caso de falha prolongada da refrigeração. A verdade é que, para muitas pessoas, a estabilidade da sua condição de saúde está literalmente guardada no frigorífico.
A lista não é exaustiva, mas é esclarecedora. Além da insulina, fundamental para muitos diabéticos, estão em causa diversos medicamentos biológicos injetáveis, certas hormonas, alguns antibióticos líquidos já preparados e até colírios específicos. A degradação, sublinham as entidades, nem sempre é percetível a olho nu. Não muda a cor, não altera o aspeto. O problema revela-se de forma subtil e perigosa através da “diminuição ou ausência do efeito do medicamento”, o que pode desencadear descompensações de doenças crónicas ou um agravamento súbito do estado clínico. “Nem sempre existem sinais visíveis de alteração, mas a perda do efeito terapêutico pode colocar o doente em risco”, pode ler-se no comunicado.
Perante uma falha de energia, a orientação passa por tentar conservar os fármacos num local o mais fresco, seco e escuro possível, evitando a todo o custo o seu congelamento. Mas o cerne do alerta está na vigilância. Os doentes são instados a monitorizar com redobrada atenção quaisquer sinais que possam indicar uma perda de controlo da sua doença. Em caso de dúvida sobre a integridade de um medicamento, a linha SNS 24 (808 24 24 24) deve ser contactada para orientação, reservando-se o número 112 para situações de emergência médica declarada.
Este aviso sanitário surge num contexto de estragos materiais extensos e de um balanço humano já pesado. De acordo com a E-REDES, pelas 07:30 de hoje, as avarias provocadas pela depressão Kristin mantinham aproximadamente 86 mil clientes sem energia elétrica, com o distrito de Leiria a suportar o grosso do problema, contando com 57 mil destes casos. Na sequência da passagem sucessiva das depressões Kristin e Leonardo, nas últimas semanas, o país conta já dez vítimas mortais. O Governo respondeu decretando situação de calamidade para 68 concelhos, medida que se estenderá até ao próximo domingo, enquanto equipas de socorro e restauro de serviços lutam contra o tempo e contra os elementos.



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