Batalha ativa gabinete psicológico para afetados pela tempestade Kristin

6 de Fevereiro 2026

O município da Batalha, em parceria com voluntários e a Unidade de Cuidados na Comunidade, criou um serviço de apoio psicológico gratuito para os habitantes do concelho. A iniciativa surge na sequência dos estragos e do trauma deixados pela depressão Kristin

A Câmara Municipal da Batalha formalizou esta sexta-feira, dia 6 de fevereiro, a criação de um Gabinete de Apoio Psicológico destinado aos munícipes que enfrentam as sequelas emocionais da passagem da depressão Kristin. A medida, implementada em colaboração com uma equipa de voluntários com formação em Psicologia e com a Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) local, pretende funcionar como uma primeira linha de contenção.

“Não podemos descurar a saúde mental, sobretudo neste momento mais frágil”, afirmou a vereadora Célia Ferreira, justificando a decisão. A autarca realçou a natureza complementar do projeto, que assenta na disponibilidade de técnicos voluntários, no conhecimento dos profissionais de saúde da UCC e ainda numa bolsa de voluntários facultada pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. O gabinete terá como funções prestar primeiros socormos psicológicos, auxílio na gestão da dor e promover o que é descrito como uma escuta ativa.

Os interessados em aceder a este apoio, garantido de forma gratuita, devem contactar os serviços da Câmara Municipal, através do número 244769110, ou então ligar diretamente para a UCC da Batalha, no 244769922. Após este primeiro contacto, ser-lhes-á marcada uma consulta. Paralelamente, a autarquia abre a porta a outros psicólogos ou técnicos especializados que queiram integrar o corpo de voluntários, pedindo que manifestem essa intenção através dos canais municipais.

Este movimento da edilidade surge num contexto de destruição ampla. A conjugação das depressões Kristin e Leonardo, que na semana passada varreu o país, resultou em treze vítimas mortais em território nacional, além de centenas de feridos e desalojados. Os cenários de devastação material multiplicam-se: casas e empresas parcial ou totalmente destruídas, árvores e postes de electricidade derrubados, vias de comunicação interrompidas. Os cortes nos serviços essenciais, como energia, água e comunicações, agravaram o quotidiano das populações. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo figuram entre as mais fustigadas.

Em resposta à escala do desastre, o Governo decidiu prolongar até 15 de fevereiro a situação de calamidade para um total de 68 concelhos. O diploma, que inicialmente vigorou de 28 de janeiro a 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios e foi depois estendido até ao dia 8, liberta agora um pacote de medidas de apoio que pode atingir os 2,5 mil milhões de euros. Um montante que tenta fazer face a um rasto de prejuízos que ainda está por contabilizar na sua totalidade. É neste ambiente de reconstrução lenta, física e emocional, que o gabinete da Batalha tenta ganhar forma.

NR/HN/Lusa

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